
Estamos em guerra biológica e as notícias do front, os hospitais (foto), não são boas. É preciso entender o sentido de urgência do momento. Foto: Divulgação
O brasileiro sempre se perguntou a razão de certos povos evitarem o contato tupiniquim, os chamegos, como os populares beijos no rosto. Fica mais fácil entender, depois das gripes Aviária e Suína, as máscaras que, ultimamente, caracterizam os asiáticos. A explicação chega, agora, da forma mais trágica: guerra e peste. O Covid-19, seja criado em laboratório ou por mutação, está em guerra com a humanidade. Devagar, muito mais lentamente que o desejável, começa a surgir o sentido de urgência necessário para enfrentá-lo.
Há muito tempo, numa conversa de restaurante, um sábio, diplomata, explicava a desorganização brasileira: “Nunca tivemos guerra de verdade. Perceba que todos os países desenvolvidos ou participaram ou ficaram próximos de uma, ampla, feroz, decisiva”.
A guerra chegou e está ceifando vidas preciosas.
O vídeo com 14 corpos espalhados no HPS João Lúcio é um símbolo dos tempos em que estamos vivendo. O combate, na vida real, cruamente, não tem nada de romântico.
Outro vídeo, também viralizado nas redes sociais, mostra alguém dizendo que “só morrerão cerca de 80 pessoas” em determinado local. Aí vão aparecendo na sala, ao lado desse indivíduo, crianças, idosos, jovens e adultos, parentes dele. Aos poucos, lívido, ele percebe a estupidez do que falou.
O mundo não estava preparado para a pandemia. New York, Madrid, Roma ou Tokyo tiveram que apelar aos tais caminhões frigoríficos para guardar corpos, à espera de enterro. Imagine então o interior do Amazonas, uma das regiões mais desestruturadas do planeta.
A constatação, porém, não serve para amenizar consciências. É preciso iniciar a estruturação, construindo rodovias, portos e hospitais equipados, com a urgência que uma guerra requer.
O Amazonas já tem tempo e história suficiente para virar páginas. “A Zona Franca é 97% da nossa economia e não podemos admitir alternativas”. Ou: “Os rios são nossas estradas”. São frases que fizeram história, mas estão vencidas e hoje só servem o atraso de quem as pronuncia.
No Alto Solimões, Benjamin Constant e Atalaia do Norte, a menos de 30 minutos de barco, sempre tiveram ligação terrestre. A construção de uma estrada entre as duas, no entanto, só ocorreu bem recentemente.
Ainda há, até hoje, quem critique a construção da ponte Jornalista Phelippe Daou, sobre o rio Negro. São os mesmos críticos que não cobram o necessário arranjo econômico para o uso desse instrumento. E esperarão pela ação do minguado capital privado, para que se resgate, economicamente, o investimento bilionário. Ocorre no turismo de Novo Airão e na produção agrícola de Manacapuru. O papel indutor do Estado, entretanto, apesar da estrada, parece cavalgar em lesmas.
Guerra é urgência. Hospitais de campanha são necessários na capital. Mas no interior são necessários, urgentes, inadiáveis.
A pandemia começou da classe média para cima, entre viajantes, voltando das férias de fim de ano. Distante disso, a periferia, onde está a massa da população, ainda não foi atingida.
O vulgo logo dirá: “É por isso que eles resistem ao confinamento e se esbofeteiam nas filas da Caixa, atrás dos R$ 600 do Bolsonaro”.
Não é tão simples. A fila e o esbofeteio existem por causa da carência. São um Raio-X da sociedade brasileira atual, com a base da pirâmide financeira quilométrica e um topo milimétrico.
Uma simples foto das filas ou mero vídeo feito no celular substituem tomos e tomos de estudo sócio-político.
Os hospitais, cenário principal da guerra contra o Covid-19, mandam notícias.
Um médico, acostumado ao ambiente hospitalar, constata que o pior de tudo é a solidão. Parentes não podem circular, nem para visitá-lo, temendo a contaminação. Colegas não conseguem ajudá-lo, oferecendo mais conforto, porque leito virou artigo de super luxo.
Claro que isso seria facilmente solucionado se, exército articulado, houvesse Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para os parentes. Fica a sociedade espremida entre o papel afetivo na cura e a realidade, que, perigosamente, vai mandando a afetividade às favas.
Por que o morcego, aquele suposto vilão que transmitiu o vírus, não foi estudado? Como dizia Antônio Carlos Magalhães, às turras com Paulo Maluf, “o óbvio não se prova”.
A civilização milenar da China come morcego ou convive com ele desde sempre. Depois desses milhares e milhares de ano, o bichinho resolveu fazer mal? E a Gripe Aviária? E a Gripe Suína?
Vamos exercitar o “se”: E se isso fosse um grande experimento, em busca de arma de guerra? Aos poucos, ela vai se tornando infinitamente mais letal que as bombas de Hiroshima e Nagasaki.
Jornalistas correspondentes de guerra contam que os dias mais perigosos vêm com a experiência. No começo, eles ouvem um tiro e se jogam na trincheira, buscam proteção. Meses depois, os tiros viram rotina. Quando atiram, o sujeito levanta a cabeça, procurando de onde vem a bala, e acaba ferido ou morto.
A guerra está aí e é preciso enfrentá-la com determinação ainda maior que a recomendada por Carl Von Clausewitz: “Na guerra como na guerra”. Numa guerra biológica, pior ainda. Afinal, ninguém sabe de onde a bala vem.
Veja mais notícias em Opinião