
Zona Franca do Marajó ameaça empregos da Zona Franca? Ela será estudada pelo maior declarado inimigo de incentivos fiscais Paulo Guedes. Foto: Divulgação/Secom
O presidente Jair Bolsonaro pediu estudos para criar “uma espécie de Zona Franca” na Ilha de Marajó. O pedido foi feito quando informado, pelo governador Hélder Barbalho, que o Pará zerou o ICMS na região. Executará no local, que tem o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, o programa “Abrace o Marajó”. Todos os alertas se acendem, novamente, na Zona Franca de Manaus (ZFM). Entenda os desdobramentos de mais esse panavueiro.
A Amazônia não comporta duas zonas francas. O ministro Paulo Guedes, que estudará a Zona Franca do Marajó, quer acabar com a única existente, a ZFM. Como é que esse cobertor curto será estendido ao Pará?
Ameaça à ZFM interessa – e muito!!! – aos políticos. Ficam ouriçados porque sabem que o modelo é tabu para o eleitor amazonense. E se os estudos convencerem o ministro que é possível um modelo industrial cá e outro comercial lá? Por que não compartilhar experiências e levar desenvolvimento a brasileiros ainda mais pobres que os amazonenses?
A proposta, feita meio na base do “vou falar o que esse pessoal quer ouvir”, é um teste. Os tais ocupantes de postos-chaves no Congresso Nacional terão que resolver o pepino. Problema é que os mais importantes vivem em verdadeira guerra de foice para aparecer. Priorizam salvar a própria pele – comprometida em operações policiais.
A retirada dos ocupantes do Monte Horebe era inadiável. A reserva Adolpho Ducke, ameaçada pela ocupação, é um patrimônio mundial. É “berçário de rios”, segundo Marcus Barros, ex-presidente do Inpa e do Ibama, tal o emaranhado de nascentes que abriga.
Manaus não comporta mais invasão. Faz o poder público brincar de cachorro, tentando morder o próprio rabo, para criar infraestrutura. Traz demandas imprevistas nos orçamentos, como ruas, asfalto, telefonia, energia, transporte, escola, delegacia, hospital etc. É a razão de Manaus ter cinco bairros planejados e todo o resto resultado de invasões.
A conta de invasão chega derrubando qualidade de vida, a começar pelos próprios invasores. Certo. Mas cadê política pública de moradia? Está provado que construir conjuntos habitacionais públicos, como o Viver Melhor, sem planejar o ordenamento urbano, não funciona. Sequer derruba o déficit habitacional.
O crime organizado anda sambando na cara das autoridades. Primeiro construiu a Cidade das Luzes. Agora o Monte Horebe. Recheia com necessitados e imigrantes, haitianos e venezuelanos, para pacote completo demanda-esconderijo. As duas invasões têm em comum agressão a Área de Proteção Ambiental (APA).
A Cidade das Luzes está maior, hoje, que no momento da retirada. Se não forem tomadas providências, Monte Horebe será a mesma coisa. E a reação precisa ser mais rápida na próxima. Porque a próxima vem. E logo.
Grandes latifundiários de Manaus descobriram, faz tempo, tática para burlar a legislação ambiental. Deixam seus terrenos serem invadidos. Até incentivam. Os invasores desmatam tudo e com eles nada acontece. Só depois vem o pedido de reintegração de posse… e um conjunto habitacional classe média-baixa no local. Dizem que dois grandes empresários da construção civil têm terras em parte da área invadida do Monte Horebe. Com isso confirmado, o poder público precisa cobrar deles os custos, inclusive ambientais, da falta de cuidado com seus latifúndios.
O Festival de Parintins vendeu, antecipadamente, quase todos os ingressos deste ano. É um sucesso. Depois da recuperação verificada ano passado, muitos empresários voltaram a armar embarcações rumo à Ilha. Agora, com o bloqueio das verbas dos patrocinadores, a festa volta a mergulhar em pessimismo.
Presidentes dos bumbás tentam, junto ao governador Wilson Lima, solução para dívidas que motivaram bloqueio trabalhista. A solução seria uma “cesta de dívidas”, balaio onde entrariam débitos de Caprichoso e Garantido, com obrigações anuais para ambos.
“Governando sem leme” e “o importante é ganhar”. Assim tem sido a maioria das administrações dos bumbás de Parintins. Babá Tupinambá, por exemplo, recebeu sem contar e administrou sem pagar. O resultado é a progressiva inviabilização da festa de Garantido e Caprichoso. Ex-administradores receberam dinheiro público. Ficará por isso mesmo? Os bumbás se tornarão um poço sem fundo de dívidas? O Ministério Público, guardião da lei, não vai agir? Cuidar desse patrimônio do povo amazonense, que se espraia pelo País, através de artistas talentosos, é obrigação de todos. Combater irresponsabilidades também.
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