10/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Zona Franca do Marajó, Festival de Parintins sem verba e ação no Monte Horebe. Entenda esses panavueiros

Publicado em 04 de março, 2020

Zona Franca do Marajó

Zona Franca do Marajó ameaça empregos da Zona Franca? Ela será estudada pelo maior declarado inimigo de incentivos fiscais Paulo Guedes. Foto: Divulgação/Secom

O presidente Jair Bolsonaro pediu estudos para criar “uma espécie de Zona Franca” na Ilha de Marajó. O pedido foi feito quando informado, pelo governador Hélder Barbalho, que o Pará zerou o ICMS na região. Executará no local, que tem o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, o programa “Abrace o Marajó”. Todos os alertas se acendem, novamente, na Zona Franca de Manaus (ZFM). Entenda os desdobramentos de mais esse panavueiro.

 

Cobertor curto

A Amazônia não comporta duas zonas francas. O ministro Paulo Guedes, que estudará a Zona Franca do Marajó, quer acabar com a única existente, a ZFM. Como é que esse cobertor curto será estendido ao Pará?

 

Modelo

Ameaça à ZFM interessa – e muito!!! – aos políticos. Ficam ouriçados porque sabem que o modelo é tabu para o eleitor amazonense. E se os estudos convencerem o ministro que é possível um modelo industrial cá e outro comercial lá? Por que não compartilhar experiências e levar desenvolvimento a brasileiros ainda mais pobres que os amazonenses?

 

Teste

A proposta, feita meio na base do “vou falar o que esse pessoal quer ouvir”, é um teste. Os tais ocupantes de postos-chaves no Congresso Nacional terão que resolver o pepino. Problema é que os mais importantes vivem em verdadeira guerra de foice para aparecer. Priorizam salvar a própria pele – comprometida em operações policiais.

 

Monte Horebe

A retirada dos ocupantes do Monte Horebe era inadiável. A reserva Adolpho Ducke, ameaçada pela ocupação, é um patrimônio mundial. É “berçário de rios”, segundo Marcus Barros, ex-presidente do Inpa e do Ibama, tal o emaranhado de nascentes que abriga.

 

Invasão

Manaus não comporta mais invasão. Faz o poder público brincar de cachorro, tentando morder o próprio rabo, para criar infraestrutura. Traz demandas imprevistas nos orçamentos, como ruas, asfalto, telefonia, energia, transporte, escola, delegacia, hospital etc. É a razão de Manaus ter cinco bairros planejados e todo o resto resultado de invasões.

 

Invasão (2)

A conta de invasão chega derrubando qualidade de vida, a começar pelos próprios invasores. Certo. Mas cadê política pública de moradia? Está provado que construir conjuntos habitacionais públicos, como o Viver Melhor, sem planejar o ordenamento urbano, não funciona. Sequer derruba o déficit habitacional.

 

Crime organizado

O crime organizado anda sambando na cara das autoridades. Primeiro construiu a Cidade das Luzes. Agora o Monte Horebe. Recheia com necessitados e imigrantes, haitianos e venezuelanos, para pacote completo demanda-esconderijo. As duas invasões têm em comum agressão a Área de Proteção Ambiental (APA).

 

Experiência

A Cidade das Luzes está maior, hoje, que no momento da retirada. Se não forem tomadas providências, Monte Horebe será a mesma coisa. E a reação precisa ser mais rápida na próxima. Porque a próxima vem. E logo.

 

Latifundiários

Grandes latifundiários de Manaus descobriram, faz tempo, tática para burlar a legislação ambiental. Deixam seus terrenos serem invadidos. Até incentivam. Os invasores desmatam tudo e com eles nada acontece. Só depois vem o pedido de reintegração de posse… e um conjunto habitacional classe média-baixa no local. Dizem que dois grandes empresários da construção civil têm terras em parte da área invadida do Monte Horebe. Com isso confirmado, o poder público precisa cobrar deles os custos, inclusive ambientais, da falta de cuidado com seus latifúndios.

 

Festival de Parintins sem verba

O Festival de Parintins vendeu, antecipadamente, quase todos os ingressos deste ano. É um sucesso. Depois da recuperação verificada ano passado, muitos empresários voltaram a armar embarcações rumo à Ilha. Agora, com o bloqueio das verbas dos patrocinadores, a festa volta a mergulhar em pessimismo.

 

Festival de Parintins sem verba (2)

Presidentes dos bumbás tentam, junto ao governador Wilson Lima, solução para dívidas que motivaram bloqueio trabalhista. A solução seria uma “cesta de dívidas”, balaio onde entrariam débitos de Caprichoso e Garantido, com obrigações anuais para ambos.

 

Irresponsabilidade

“Governando sem leme” e “o importante é ganhar”. Assim tem sido a maioria das administrações dos bumbás de Parintins. Babá Tupinambá, por exemplo, recebeu sem contar e administrou sem pagar. O resultado é a progressiva inviabilização da festa de Garantido e Caprichoso. Ex-administradores receberam dinheiro público. Ficará por isso mesmo? Os bumbás se tornarão um poço sem fundo de dívidas? O Ministério Público, guardião da lei, não vai agir? Cuidar desse patrimônio do povo amazonense, que se espraia pelo País, através de artistas talentosos, é obrigação de todos. Combater irresponsabilidades também.

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