
A origem do aumento de salários está em mais uma casca de banana deixada por Amazonino para Wilson Lima
O polêmico reajuste salarial do segundo escalão do governo do Estado, cancelado pelo governador Wilson Lima, tem nome e sobrenome. Foi originado num ato do ex-governador Amazonino Mendes, no apagar das luzes de seu governo. Matreiramente, Amazonino reajustou apenas os salários dos secretários, de R$ 13 mil para R$ 28 mil*. Foi na Lei 4.741, de 27 de dezembro 2018 e vigência em 1º de janeiro 2019. O pagamento se deu, portanto, em janeiro/2019. A Wilson coube o pepino de reajustar o segundo escalão, que acabou ficando, no valor líquido, abaixo dos R$ 10 mil. De outras casacas de banana, como o orçamento de R$ 6 bilhões para uma folha que beirou os R$ 7 bilhões, Wilson escapou a duras penas.
A emenda, com o aumento que repercutiu pelo País, pode ter sido pior que o soneto. Há secretário-adjunto e secretário-executivo endividado e que até elevou o limite dos cartões de crédito, por conta do gordo salário. Que se desmanchou no ar.
Nada foi mais cirúrgico, para desfazer o aumento salarial, que uma lista sutilmente vazada nas redes sociais. Ela continha nome, sobrenome, cargo, valor antigo e valor reajustado, além do percentual de reajuste. A publicação foi tão eficaz quanto a habilidade do (a) autor (a) em não deixar digitais.
Nos meios palacianos há quem diga que Wilson Lima puxou as rédeas do governo para si, ao cancelar o reajuste. Ele tomou a decisão após ouvir poucas pessoas, entre as quais o vice-governador Carlos Almeida.
Carlos Almeida reagiu duramente, diante da nota em que a Assembleia Legislativa nega autorização para reajuste salarial no Estado. Disse que Josué Neto, presidente da Casa e sem o qual não haveria nota, foi subserviente a todos os ex-governadores. “Ele sabia de tudo e não venha agora dar uma de João sem braço”, atacou.
A nota da Assembleia, chancelada por Josué Neto, fala em devolução dos salários de novembro e dezembro, pagos com aumento. “A anulação do reajuste é o melhor caminho, devendo contemplar a devolução de quaisquer valores pagos indevidamente”. A anulação já ocorreu e Josué promete cobrar a devolução na volta do recesso parlamentar.
Carlos Almeida detesta Josué Neto. Acha que o presidente da Assembleia é inconfiável. Os dois só não se atracam porque Wilson Lima procura evitar. Trabalha como bombeiro tentando impedir a deflagração do confronto, cada vez mais iminente.
A fissura causada pelo aumento, agora anulado, se espalhou entre os deputados estaduais. O Delegado Péricles negou que, ao votar a Lei Delegada, tenha permitido a concessão. Fausto Jr., filho da conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Yara Lins, foi mais longe. Disse que a bancada governista na Aleam, à qual pertence, não sabia do reajuste. “Talvez só a líder sabia”, disparou. Joana D’Arc, pelo visto, não anda muito bem com a bancada.
A diretoria do TCE, presidida pelo conselheiro Mário Melo, também rugiu. A nota sobre a contratação dos técnicos de enfermagem terceirizados avisou que está “analisando” tudo. E que vai “adotar as medidas cabíveis”.
Wilson Lima dá demonstrações de que vai encarar quaisquer consequências da contratação dos enfermeiros. O processo iniciou e está praticamente concluído. Ele entende que a crise do setor de saúde, com risco de paralisações pelos atrasos de salários, justifica a excepcionalidade.
O ex-governador e senador Omar Aziz (PSD-AM) está mais forte que nunca junto ao governador Wilson Lima. Ele aconselha o governador, desde bem antes de conseguir os R$ 210 milhões para recuperar a AM-010. Dizem que a influência do senador, que andava meio sumido, aumentou muito no governo.
Não convidem para o mesmo ato o presidente da RD Engenharia, Romero Reis, e o superintendente da Suframa, Alfredo Menezes. Romero acha que Menezes boicotou a candidatura dele à Prefeitura de Manaus. Os dois eram amigos desde os tempos da caserna. Romero, porém, amigo pessoal de Bolsonaro, adotou caminhos próprios para viabilizar a candidatura. Não ouviu ninguém. Menezes se tornou mais conhecido que o “candidato oficial”. Tudo indica que, se tiver candidato, o presidente optará por Menezes e não por Romero.
Romero ataca Menezes, mas não dá um “ai” contra Bolsonaro. Que, ao repetir que não tem candidato à Prefeitura de Manaus, foi quem puxou o tapete dele.
Alfredo Menezes não diz. Mas topa, se for o candidato apontado pelo presidente, concorrer à Prefeitura de Manaus: “Sou um soldado”, repete.
Bolsonaro, antes de indicar qualquer coisa no Amazonas, terá que resolver o problema do Polo de Concentrados da Zona Franca. Se deixar o modelo morrer de inanição, como parece querer o ministro Paulo Guedes, pode esquecer qualquer influência no Estado.
Depois de dar um banho de asfalto em Manaus, o prefeito Arthur Virgílio pretende dobrar o primeiro semestre inaugurando obras. Entrega o complexo viário das ruas Pará e João Valério com Constantino Nery, no Vieiralves, até fim de fevereiro. Ainda correrá com o complexo viário do Manoa, que pretende inaugurar até junho. E já trabalha para a segunda etapa do asfaltamento do Distrito Industrial, cuja primeira etapa está sendo concluída.