
Manaus na Série C e agora, o que pode ser feito para valorizar a conquista épica desse time que tem apenas seis anos de vida e já é tricampeão amazonense, detendo o recorde de público em jogos com times locais na Arena da Amazônia (foto)?
Dois vivas para o pequeno grupo de torcedores do Caxias que pintaram e bordaram com o Manaus FC. Em Caxias do Sul e nas mídias sociais. Passaram a noite tocando vuvuzela e soltando catolés nos corredores do hotel sulista. Desdenharam do povo amazonense. E levaram um empurrão para fora da Série C de 45 mil torcedores, na Arena da Amazônia. O Manaus FC, caçula e tricampeão do Amazonas, foi empurrado para dentro da Série C. E agora?
Há quem diga que o futebol amazonense “cresceu e apareceu”. Faz tempo. Apareceu com aquele Nacional do técnico Barbatana, de Luís Florêncio, Pedro Hamilton, Ângelo, Roberto, Cerezzo, Paulo Isidoro, Campos etc. Era década de 1980. Cresceu quando o São Raimundo ficou, de 2000 (Copa João Havelange) a 2006, na Série B. Apareceu mais ainda sediando a Copa 2014 e a Olimpíada 2016.
Mas tem sim coisa nova para ser feita.
A primeira coisa é organizar a casa. A Arena da Amazônia é um conjunto de conquistas do povo amazonense. Da harmonia arquitetônica à funcionalidade. E, principalmente, por oferecer a ferramenta internacional de organização chamada assento numerado.
O torcedor pode reunir a família e garantir lugar para todos, lado a lado. O pai tem a chance de ir ao estádio com a esposa e filhos. Pode ir ao banheiro tranquilo, sem o risco de voltar e encontrar um marmanjo, bêbado, ocupando seu lugar. E se aparecer um engraçadinho, o ingresso numerado é a senha para chamar a segurança e retirá-lo.
Lugar numerado na Arena da Amazônia não é uma liberalidade do promotor do evento. É obrigatório. É civilizatório. Deve ser cobrado em todos os jogos.
O Manaus FC jogará duas partidas decisivas na capital amazonense. Sábado, dia 03/08, recebe o Jacuipense-BA, no jogo de volta da semifinal da Série C. O jogo da ida será dia 28/07 (domingo), no estádio Eliel Martins, em Riachão do Jacuípe (BA). A outra partida, na Arena da Amazônia, será ou a disputa pelo terceiro lugar ou a final da Série C.
Um time competitivo na Série C do Campeonato Brasileiro precisa de elenco custando R$ 450 mil/ mês. Para brigar pelo título terá que formar equipe em torno de R$ 700 mil a R$ 1 milhão/ mês. O Manaus FC gastou cerca de R$ 200 mil/mês para chegar lá. Mas agora terá que pagar salário de jogador em torno de R$ 15 mil a R$ 16 mil/mês.
O Manaus terá que contar com olheiros sérios, capazes de enxergar, além da qualidade, o caráter do jogador, a capacidade de entrega. Isso significa comissão técnica de alto nível, com gente experiente em torno do treinador. Que tal um conselho deliberativo formado por todos os patrocinadores, com direito a opinar sobre a formação do elenco? E depois, claro, a palavra final da diretoria e do treinador.
Nada demais para a pujança das empresas amazonenses. Uma pechincha para o potencial de retorno demonstrado na partida Manaus 3 a 0 Caxias.
Campeonato Brasileiro, hoje, significa visibilidade para a cidade e o Estado dos times participantes. A Série D é uma série da morte, só comendo investimento e quase sem atrativo. Mas da Série C para a frente a coisa se tornou (quase) profissional. Por que quase? Porque se não seria uma Premier League ou um Campeonato Espanhol.
Manaus é um time para investir. Cair, já em 2020, deixaria um gostinho de incapacidade coletiva. Seria injusto com o povo amazonense, acima e além daqueles 45 mil que lotaram a Arena no histórico 20/07/2019.
O futebol amazonense é questão de responsabilidade. Com os R$ 700 milhões investidos na Arena da Amazônia. E outro tanto investidos na Colina e no Carlos Zamith. Sem contar hotéis e investimentos privados em geral.
Manaus é uma cidade pronta para grandes jogos. Tem um time apaixonante, com uma história épica. Só falta correr pro abraço.
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