
Governadores de outros Estados agiram no primeiro mês de janeiro para apresentar realizações concretas. Wilson Lima (foto) ainda está no diagnóstico
A impressão que o governador Wilson Lima deu, nesta terça (05/02), na mensagem abrindo o ano legislativo, é bem clara. A Comissão de Transição e o secretariado cavaram, cavaram e não acharam o fundo do poço do caos no Amazonas. O diagnóstico, portanto, continua. O problema é que, a cada dia, esse trabalho parece mais tentativa de consertar avião em pleno voo. O governador do Paraná, Carlos Massa, o Ratinho Jr., enfileirou uma série de realizações. E lá, como aqui, o governador Beto Richa foi afastado, o atual está em primeiro mandato e há crise instalada. João Dória Jr., também no primeiro mandato à frente do Governo de São Paulo, mexeu no turismo. Voluntarismo, esforço físico, desgaste mental não serão suficientes, se o governo não mostrar uma face palpável de realizações.
Ratinho Jr. mandou para a Assembleia, no primeiro dia da nova legislatura, projeto que extingue a aposentadoria de governadores. Há décadas, como no Amazonas, basta assumir o cargo por alguns meses para receber o salário pelo resto da vida.
O caso mais emblemático é o de José Melo. Cassado, preso, tornozeleira eletrônica, prisão domiciliar, ele tem direito à pensão e a dez PMs de segurança. Isso e mais algumas outras mordomias. Tudo porque o mandato de dez meses, substituindo Omar Aziz, em 2014, não foi questionado. A cassação se deu no mandato para o qual foi eleito em outubro/ 2014.
Amazonino, outro pensionista que leva dinheiro do amazonense pelo resto da vida, recebeu mais de R$ 500 mil em dezembro. Não esperou terminar o próprio governo para se pagar o dinheiro, relativo a supostos cálculos errados na pensão vitalícia.
Ratinho Jr. mostrou articulação política. Levou ao Paraná ministros da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, Agricultura, Tereza Cristina, e Meio Ambiente, Ricardo Salles.
Ratinho Jr. fez mais. Devolveu o jatinho que atendia ao governador, numa economia de R$ 4,5 milhões. Só um contrato revogado do Detran significou R$ 12 milhões de economia. Taxas abusivas do Detran – alguma semelhança aí? – foram diminuídas. Salários do governador e do secretariado foram congelados, contra o aceite do reajuste feito no apagar das luzes por Amazonino. Aí foram R$ 8 milhões economizados. Veja, ao final desta coluna, o próprio governador Ratinho Jr. falando sobre isso.
O Amazonas perdeu o voo da TAP Manaus-Belém-Lisboa, na ida, e Lisboa-Manaus, na volta. Tudo porque não cumpriu promessa de redução do ICMS do combustível de aviação. Também foi desperdiçada a possibilidade de voo Manaus-Macapá-Caiena-Paris, pela Gol, por falta de habilidade governamental. Perdeu-se assim duas ligações diretas com a Europa, esse continente pobre, com pouca história e turismo fraquinho, fraquinho?. A Latam reduziu os voos para os Estados Unidos, país também fraquinho, fraquinho no turismo.
Wilson Lima não tem nada a ver com esse problema da falta de cumprimento da palavra por governos anteriores. João Dória Jr., que também tem um mês de governo, soube encontrar uma forma de agir. Reduziu o ICMS do combustível de aviação de 25% para 12%. O custo das companhias aéreas, um setor com margens muito justas, cai em 5%. São Paulo ganhará mais de 490 voos novos, principalmente na aviação regional. Executivos de Gol, Azul, Latam e Avianca foram à cerimônia de assinatura da redução exibindo enormes sorrisos.
Dória, que conhece bem o turismo, pediu em troca da redução do ICMS o direito ao passageiro de fazer o stopover. O que é isso? Se você viajar para o exterior por São Paulo ganha o direito de ficar na cidade por até três dias. Desce do avião e sobe de novo sem pagar nada a mais para as companhias aéreas. Deve representar 59 mil empregos e injeção de R$ 6,9 bilhões na economia estadual. Isso se apenas 2,5% dos passageiros ficarem na cidade durante as conexões. O modelo é adotado em Lisboa (TAP), Istambul (Turkish Airlines) e Abu Dhabi (Emirates). São Paulo abre mão de R$ 205 milhões e ganha, só com aumento do abastecimento de aviões, R$ 111 milhões. Negócio da China.
Wilson Lima anunciou, na abertura dos trabalhos legislativos, metas bem vagas. “Melhoria da qualidade dos gastos, repactuação de contratos, redução de custos tributários. Incentivo ao pequeno e médio empreendedor. Reforma administrativa”. Muitas outras metas, coisas a fazer nos primeiros cem dias. Os governadores citados mostram caminhos que o Amazonas pode seguir. Chega da ideia burra de achar que desenvolvimento se faz aumentando ou mantendo impostos escorchantes. Qualquer economista sabe que, às vezes, é preciso abrir mão de alguma receita em nome de mais qualidade de vida e desenvolvimento. Que a médio prazo se traduzirão em receita mais sadia, oxigenada e maior.
Wilson Lima assume um governo que carrega uma carga enorme. São R$ 3 bilhões de déficit. Só no ano passado, os gastos com pessoal subiram 91%, enquanto as receitas evoluíram apenas 61%. É por isso que o Estado precisa fazer o papel de indutor, procurando injetar otimismo na economia amazonense. Criatividade e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.
O deputado estadual e ex-prefeito de Manaus Serafim Correa afirma que a crise na saúde do Amazonas é uma guerra ideológica. “Ela vem ocorrendo nos últimos 30 anos”, afirma. De um lado, os que defendem a implantação do “sistema SUS”. De outro, os defensores do empresariado. Serafim acha que nem a Casa da Moeda rodando em tempo integral paga essa conta. Exemplo? “Um técnico de exames radiológicos ganha R$ 70 por hora. O Estado contrata uma empresa que cobra R$ 300. Se o Estado fizer concurso e pagar R$ 100 a hora, o técnico ficará feliz da vida e o povo economizará R$ 200”. Os médicos, por outro lado, sem pagar FGTS, INSS e certos impostos, acumulam passivo trabalhista e tributário. Não têm férias, 13º ou aposentadoria. Serafim vai explicitar melhor a ideia nesta quarta (06/02), no programa Diário da Manhã, na rádio e TV Diário, das 7h às 9h.
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