23/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Crônica do governo Wilson Lima. Veja a lista completa dos novos secretários e dirigentes estaduais

Publicado em 24 de dezembro, 2018

Crônica do governo Wilson Lima

Crônica do governo Wilson Lima, com a composição completa do secretariado estadual que assume em 1º de janeiro

O governador eleito Wilson Lima, cuja gestão inicia em uma semana, foi eleito sob o signo do novo. Assume, portanto, com o dever de promover o desenvolvimento do Amazonas com inovação. Mas o curioso é que isso não é diferente dos ventos que elegeram Amazonino Mendes. Sim, ele convenceu o povo amazonense de que se tratava do “novo”, capaz de arrumar a casa. O resultado da eleição mostra a reprovação do “novo” Amazonino e o tamanho da responsabilidade do “novo” Wilson.

O novo governador fez algum mistério, encontrou recusas, mas definiu o secretariado estadual. Ainda assim é impossível visualizar a cara da administração. Veja a lista completa abaixo.

Wilson tem alguns gargalos para resolver.

Amazonino negociou, para evitar paralisações, reajustes escalonados nas Secretaria de Saúde (Susam) e Polícia Militar (PM). Deixou pendente pagamento do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Tudo isso vai impactar a folha de pessoal, hoje beirando os 49% do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal.

O novo governador procura “carimbar” Amazonino como “dono” do déficit de R$ 1,5 bilhão e da ultrapassagem dos 49% com pessoal. Isso alivia a futura gestão dos encargos de possíveis atrasos. Wilson parece querer essa “arma” para utilizar como futura justificativa.

O problema é que governador inovador encontra soluções criativas para problemas difíceis. A saída aí é aumentar a arrecadação e diminuir as despesas.

 

Arrecadação e substituição tributária

Para aumentar a arrecadação uma das saídas é diminuir a inadimplência, a sonegação e a ineficiência geral do fisco. Os últimos anos do Amazonas foram marcados por gestores “arrecadadores”. São eles que reajustam impostos e aconselham os governantes a entesourar recursos. Dizem que Alex Del Giglio, o titular escolhido por Wilson para a Sefaz, filia-se a esse grupo.

O Estado anseia por uma gestão das finanças “desenvolvimentista“. Esse viés defende o abatimento de impostos, mesmo que isso traga algum prejuízo na arrecadação, em nome do desenvolvimento. A médio e longo prazos, o bolo do erário aumenta e as perdas iniciais são compensadas. É esse tipo que melhora a qualidade de vida da sociedade.

A Sefaz precisa se debruçar sobre esse escândalo chamado “substituição tributária”. Funciona assim: o empresário compra um produto por R$ 10 e o Estado calcula por quanto será vendido. Aí taxa o lucro.

Imagina-se que esse cálculo resulte de pesquisa de mercado. Na prática, burocratas taxam o comércio sem piedade, ao sabor da sanha arrecadatória governamental.

Vamos supor que a Sefaz calcule que esse produto de R$ 10 será vendido por R$ 20. A “substituição tributária” cobra o imposto sobre os R$ 10 do lucro.

Há taxas escandalosas, de 65% ou mais, o que transforma o Estado em sócio majoritário do lucro do comerciante. Este, para se defender, aumenta o preço das mercadorias, provocando carestia e inflação. O povo vai comprando cada vez menos e a economia definhando.

A modalidade de cobrança de imposto acabou com o “C” do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A mercadoria não precisa mais “circular” para gerar o imposto. O resultado é que o comércio amazonense está transferindo seu capital de giro para os cofres estaduais.

O fisco mata empresas, aos montes, prejudicando a economia estadual como um todo, nos médio e longo prazos.

Wilson Lima será “novo”, diferente de Braga, Omar, Melo e Amazonino, se acabar com a substituição tributária. Ou continuará a prática de oferecer recursos para capital de giro com uma mão, via Afeam, enquanto tira com as duas o mesmo dinheiro na substituição.

 

Infraestrutura

Ainda há político que repita a frase de Álvaro Maia, em famoso discurso da década de 60: “No Amazonas, os rios são as estradas”. Diversas vias novas, a começar pela ponte Rio Negro, mostram que a realidade hoje é diferente.

Rios continuam sendo importante via de transporte, escoamento da produção e desenvolvimento. Mas a estrada é aliada imprescindível, nova, mais rápida e eficiente. É só analisar as ligações terrestres com Novo Airão, Autazes, Itapiranga, Manaquiri e entre Benjamin Constant e Atalaia do Norte.

É uma bola quicando na área, para usar linguagem do futebol, a construção de portos em Itacoatiara e Manacapuru.

Em Manacapuru, o porto absorveria todo o transporte das calhas do Juruá, Purus e Solimões. Isso é mais que possível, após a duplicação da AM-070, cuja conclusão não pode passar do primeiro semestre de 2019.

Em Itacoatiara, o porto receberia cargas e passageiros vindos dos rios Madeira, Médio e Baixo Amazonas. A rodovia AM-010 (Manaus-Itacoatiara) precisa ser duplicada com urgência. Do jeito que está, sem sinalização e esburacada, ela é atentado à vida e acinte à cidadania.

Esses dois portos, concluídos e operacionais, mexeriam substancialmente na logística e no custo amazonenses. Diminuiriam distâncias. Aproximariam interesses. Levariam progresso ao interior.

 

Cidade Modelo

O Amazonas precisa ter uma cidade com infraestrutura, saneamento básico e serviços decentes. Uma Cidade Modelo ou mais de uma.

Presidente Figueiredo, com as cachoeiras, Novo Airão, com Anavilhanas, e Parintins, com o Boi Bumbá, são as principais candidatas. Todas ainda têm população pequena. Parintins, que ultrapassou os 110 mil habitantes, é uma ilha e isso facilita ações urbanísticas.

Essas três cidades, infraestruturadas, sem buracos, com asfalto decente e atraindo bares, restaurantes e hotéis de charme, funcionariam como uma espécie de “chamariz” do desenvolvimento. Gerariam renda para juntar ao bolo da Zona Franca e transformar o Estado. Seriam a ponta de lança do muito falado e pouco praticado turismo amazonense.

Viu quantas cidades têm potencial iminente? Itacoatiara, Manacapuru, Novo Airão, Figueiredo, Parintins… E Iranduba, com essa orla fluvial maravilhosa e nos portões de Manaus?

 

Baixo Ideb pode ser oportunidade

Até os Municípios que estão nos últimos lugares do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil podem virar atração turística. São muito pobres. O País tem obrigação de financiá-los e pedir dinheiro para eles se torna mais fácil. Como estão nessa situação tiveram também pouca pressão urbana, ou seja, têm a natureza preservada. É só trabalhar o turismo ecológico, com infraestrutura, para mexer nas vidas desses amazonenses abandonados.

São caminhos que Wilson Lima pode tomar. Ou isso ou o “novo” vira abóbora antes do fim do primeiro semestre. Toda sorte ao novo governador.

 

Veja a lista completa do secretariado de Wilson Lima:

Secretaria de Administração (Sead) – Inês Carolina Barbosa Ferreira Simonetti Cabral

Secretaria de Saúde (Susam) – vice-governador Carlos Alberto Almeida Filho

Secretaria de Educação (Seduc) – Luiz Castro

Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) – Carlos Henrique dos Reis Lima

Secretaria de Fazenda (Sefaz) – Alex Del Giglio

secretaria de Planejamento, Ciência e Tecnologia (Seplanct) – Jório de Albuquerque Veiga Filho

Secretaria de Comunicação (Secom) – Daniela Assayag

Secretaria de Segurança (SSP) – Coronel PM Louismar Bonates

Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) – tenente-coronel Marcus Vinícius Oliveira de Almeida

Delegado Geral da Polícia Civil (DG) – delegado Lázaro Ramos

Delegado Geral-Adjunto da Polícia Civil – Orlando Amaral

Comandante-Geral da Polícia Militar (PM) – Ayrton Ferreira do Norte

Comandante-geral do Corpo de Bombeiros – Danízio Valente Gonçalves Neto

Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Seas) – Eduardo Costa Taveira

Secretaria de Produção Rural (Sepror) – Petrúcio Pereira de Magalhães Júnior

Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejusc) – Caroline Braz Germano Ribeiro Penha

Secretaria de Cultura (SEC) – Marcos Apolo Muniz

Procuradoria Geral do Estado (PGE) – Alberto Bezerra

Chefia da Casa Militar – Coronel PM Fabiano Bó

Secretaria do Gabinete Particular – Lúcia Carla Gama Rodrigues

Chefia da Casa Civil – Leandro Souza Benevides

Secretaria de Assistência Social (Seas) – Márcia de Souza Sahdo

Secretaria de Polícia Fundiária (SPF) – Keit Maciel

Secretaria da Pessoa com Deficiência (Seped) – Viviane Pereira da Silva Lago Lima

Diretor do Programa de Proteção e Orientação ao Consumidor do Amazonas (Procon-AM) – Jalil Fraxe Campos

Presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) – Rodrigo de Sá Barbosa

Presidente da Empresa Amazonense de Turismo (Amazonastur) – Roselene Silva de Medeiros

Instituto de Pesos e Medidas do Amazonas (Ipem-AM) – Márcio André Brito

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) – Márcia Perales

Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) – Marcos Vinícius Cardoso de Castro

Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam) – Joésia Pacheco

Superintendência Estadual da Habitação (Suhab) – Keilla Cristina Cunha da Silva

Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Amazonas (Arsam) – Acram Salameh Isper Júnior

Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) – Juliano Valente

Junta Comercial do Amazonas (Jucea) – Enio Ferrarini

Superintendência de Navegação, Portos e Hidrovias (SNPH) – Jorge de Almeida Barroso

Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS) – Flávio Cordeiro Antony

Companhia de Gás (Cigás_ – Renée Levy

 

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