25/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Oportunidades perdidas no Amazonas por inveja, corrupção e mediocridade

Publicado em 15 de dezembro, 2018

Oportunidades

Oportunidades passaram e o Amazonas não tem tempo para passar

Os 50 anos passados da Zona Franca de Manaus e os outros 50 da prorrogação criaram uma falsa e perigosa impressão. Vinícius de Morais, no “Poema do Dia da Criação”, afirma que “não há nada como o tempo para passar”. E nossos políticos não entenderam que falava de ócio e não da administração pública. O tempo passou, as crises se tornaram cada vez mais graves e o resultado é o cenário pessimista atual.

 

Oportunidades

A catástrofe foi se aprofundando e o Amazonas, deitado em berço esplêndido, jogando dinheiro fora. Exemplos? O combate feroz aos mais de R$ 200 milhões do hotel 5 estrelas do empresário Waldery Areosa e outros R$ 200 milhões do Porto das Lajes. Sim, os empresários que investiriam no Amazonas, resolvendo gargalos de infraestrutura, foram combatidos ferozmente.

 

Hotel

O hotel fez uma falta terrível na Copa do Mundo de 2014 e na Olimpíada de 2016. Teria marina padrão Miami, restaurantes, bares, anfiteatros… Manaus sediou os dois maiores eventos do planeta com honra, mas sem atender ao cobiçado filão dos turistas 5 estrelas.

 

Porto

O porto das Lajes foi outro desperdício incompreensível. A campanha contrária dizia que afetaria o Encontro das Águas. O Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tombou o local por conta disso. Só que ninguém “percebeu” que o porto ficaria à jusante da junção dos rios Negro e Solimões. No sentido da correnteza dos rios, o porto estaria entre o Encontro das Águas e a foz do rio Amazonas. Qualquer dano ambiental escorreria rio abaixo e o Encontro das Águas, rio acima, permaneceria incólume.

A discussão foi longa e ninguém viu, também, que existia e existe um terminal chamado Porto Encontro das Águas, em cima do fenômeno. E que, pertencente à Petrobras, é dedicado à operação de petróleo e seus derivados. Existe alguma atividade mais perigosa para o meio ambiente?

O Porto das Lajes iria baratear o chamado custo Amazonas. Como?

O frete de um container é mais caro no trecho Manaus-Santos que de Xangai-Santos. É mais dispendioso do Amazonas para São Paulo que da China para o Brasil. Um container de 20 pés, cheio, com produtos chineses, custa US$ 1,6 mil (R$ 6.208,32 ao dólar de 13/12).

A Log-in Logística e a parceira local, Juma Participações, iriam construir navios cargueiros adaptados às peculiaridades amazônicas. Usariam o mesmo princípio dos navios “Panamenhos”, adaptados ao Canal do Panamá. O porto garantia a cobrança do frete do container pela metade do preço.

Hoje, como é do conhecimento amplo do mercado, frete fluvial-marítimo, entre Manaus e os grandes centros, é dispendioso entrave logístico.

Os amazonenses da primeira metade do Século XX não tinham nenhuma experiência sobre ciclos econômicos. Teve alguma razão – embora desperdício seja sempre péssimo conselheiro – a surpresa com o fim abrupto da Belle Époque.

A lição, porém, foi ignorada. Uma parte por inapetência. Outra por ausência de vontade política. Boa fatia por pura ignorância do quanto seriam – e foram – duros os anos após o apogeu da borracha.

 

Inveja ou incompetência?

Oportunidades perdidas. Há quem diga que foi por inveja do sucesso empresarial dos donos dos tais empreendimentos. Para outros, apenas reação da concorrência. Um viés aponta para a mais pura incompetência administrativa. Ou ganância cavalgando a corrupção. E a corrente mais forte indica a junção de tudo, num barco em que muita gente boa embarcou.

O exemplo de desperdício e falta de visão é incontestável. O Estado não tem R$ 400 milhões, nem perfil para investir tanto dinheiro em empreendimentos assim.

Como fazem falta sentimento nativista, amor à terra, desvelo pelo povo amazonense e apreço à própria biografia.

Wilson Lima, o governador que chega, terá que fortalecer a Zona Franca, porque é base econômica fundamental. Mas, ao mesmo tempo, partir severamente para busca de alternativas, especialmente no turismo e na biotecnologia.

É um crime de lesa-Amazonas continuar ignorando a Embrapa. Ela está pronta para oferecer alternativas agropecuárias ao Estado.

 

Fim do tempo

O Amazonas não tem tempo para passar. Oportunidades perdidas como essas arrastam as esperanças de gerações. O desenvolvimento amazonense é possível e necessário. A mesquinharia, porém, que detesta mangas arregaçadas para o trabalho, tem feito enorme estrago.

A opção é clara. Ou se usa o tempo a favor dos amazonenses ou se mantém o desperdício dele, impedindo melhor qualidade de vida.

É esse o prisma pelo qual a gestão que se inicia em 1º de janeiro terá que ser avaliada.

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