
Saude vive Síndrome de Tiririca e a crueldade das filas nos corredores é só uma parte do descalabro
O governador José Melo e assessores, denunciados na Operação Maus Caminhos, deixaram a saúde no caos. A corrupção e a má gestão administrativa tomaram conta do setor. As filas aumentaram e a qualidade do atendimento chegou ao fundo do poço. A situação autorizou tomar emprestado o slogan do deputado federal Tiririca: “Pior que tá não fica”. Agora, revelam secretários estaduais, Amazonino Mendes conseguiu superar o “teorema” do deputado palhaço. Ficou pior.
O Portal do Marcos Santos noticiou, nesta segunda (12/11), que os secretários de Saúde e Fazenda deram a triste notícia. Disseram aos médicos das cooperativas, na lata, que o orçamento da saúde acabou em junho. E que o Governo do Amazonas não tem dinheiro para pagar os salários deles até dezembro.
Amazonino, em português claro, gastou todo o orçamento da saúde na campanha política. Tentava se reeleger governador dando calote em médicos, enfermeiros e técnicos de saúde terceirizados nas cooperativas.
Os médicos, após esse comunicado fatídico, emitiram várias notas. Afirmam, numa delas, que o caos é completo. Os hospitais estão desabastecidos, até mesmo sem gaze e esparadrapo. Os aparelhos de imagem, ressonância e tomografia, estão paralisados.
As filas aumentaram. O sistema pode entrar em colapso total a qualquer momento.
A solução para o problema é uma emenda pior que o soneto. É retirar dinheiro do Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Amazonas (FTI).
Isso representa retirar dinheiro de dois santos, o turismo e o interior, para cobrir o outro, a saúde.
Os médicos, capitaneados pelo deputado estadual Vicente Lopes, que é médico, precisam convencer a Assembleia Legislativa a cometer o estupro.
A estratégia de Amazonino, através dos secretários, é muito clara. Cria o caos do fato consumado, o descalabro na saúde, para justificar a mordida no dinheiro do turismo e do interior.
Pior é que essa “mordida” é comum. Vem sendo praticada historicamente pelos governadores do Amazonas. O dinheiro do FTI, ano após ano, orçamento após orçamento, entra no “caixa geral” do Estado e é desviado.
Amazonino, por incrível que pareça, havia tido o bom senso de deixar o dinheiro do turismo no turismo e do interior no interior. Agora, com mão grande, quer abocanhar de volta o naco que “emprestou” a esses setores tão vitais.
O Amazonas tende a embiocar ainda mais no teorema de Tiririca. A tendência do governo Jair Bolsonaro é cortar subsídios. É imposição do “choque de capitalismo” que o ministro Paulo Guedes promete. Isso coloca o modelo Zona Franca de Manaus em xeque. Quase xeque-mate. Qual é a alternativa do Amazonas? Transformar o interior amazonense numa nova Costa Rica, uma meca do turismo ecológico.
A retirada do dinheiro do FTI, justo num momento desafiador para a ZFM como esse, tem um efeito didático terrível. Turismo? Deixa pra lá. Interior? Depois a gente vê.
Foi assim nos últimos 50 anos, quando os governos deitaram e rolaram no dinheiro fácil e farto da Zona Franca. Deixaram de buscar alternativas. Amazonino foi quem ficou mais tempo com o poder na mão, juntados os mandatos de governador (quatro!) prefeito (três!) e senador (um). Dava para fazer algo mais que slogans e sucessores corruptos.
O pano de fundo de tudo é o descalabro na saúde. Amazonino, que anunciou aos quatro ventos estar arrumando a casa, desarrumou mais que José Melo.
A situação aumenta ainda mais a responsabilidade do governo Wilson Lima. Já a partir da Comissão de Transição é preciso que pratique a transparência. Ou revela os problemas como eles são, a realidade nua e crua, ou corre o risco de ser responsabilizado no futuro por eles.
Pior que tá não fica? Amazonino está aí mesmo para provar que fica sim. Wilson Lima só não pode é deixar a Síndrome de Tiririca continuar matando amazonenses. Chega de desfaçatez.
Veja mais notícias em Opinião