
Comissão de Transição de Wilson Lima e as primeiras reações a medalhões como Gabriel Chalita (esquerda) e David Uip (direita)
O jornalista Wilson Lima foi eleito por uma conjunção de fatores. Encarnou o novo. Encontrou presa fácil na arrogância eleitoral de Amazonino Mendes. Recebeu ajuda, direta e indireta, dos inúmeros órfãos do governo. Colheu os frutos do “Alô Amazonas”, TV A Crítica, Rede Calderaro de Comunicação (RCC), onde foi âncora. Isso tudo, conjunção astrológica impensável, entra em xeque na concretização do Governo. Que começa justamente na Comissão de Transição, anunciada esta terça (30/10).
Gabriel Chalita, David Everson Uip e Humberto Laudares compõem um timaço. São quase o mesmo que o Nacional formar um time com Cristiano Ronaldo, Messi e Neymar.
O elenco estelar provocou uma série de dúvidas, captadas entre pieguices e relevâncias, explicitadas nas redes sociais: “O Amazonas não tem gente capaz?” “Por que esses medalhões de São Paulo?” “O que eles sabem do interior do Amazonas?” “Vão trabalhar na Comissão de Transição e depois vão embora?” “Como viverão dos R$ 13 mil líquidos do salário de secretário estadual?” Foram algumas das indagações de internautas.
Wilson Lima, evidentemente, precisa responder ao que for relevante, antes que manche a imagem de “novo” que trouxe da campanha.
O vazamento meia hora antes dos nomes da comissão, para A Crítica online, foi algo absolutamente bobo. Deve ter sido fruto de alguma inabilidade ocasional. O furo jornalístico, ambição e obrigação de todo jornalista, pode ter aberto uma chaga de desconfiança no governador eleito. Se ele não hesita num favorecimento público e notório, como esse, também não iria hesitar nos inacessíveis subterrâneos do poder.
O fundamental mesmo, antes do bordão tradicional (“deixa o homem trabalhar”), é que Wilson surpreendeu. Alguém – que não é ele – com trânsito entre os quatrocentões paulistas, articulou a comissão. Esse alguém bolou uma estratégia ousada, inclusive de remuneração dessa gente. Chalita cobra R$ 30 mil por palestra. A consulta médica com Uip custa R$ 2 mil.
Isso tudo precisa ser explicitado, de forma bem clara, para o eleitor amazonense. Envolve a coisa pública. Mexe com o erário.
A análise dos fatos é clara. Wilson é depositário do milagre da eleição. A graça, no entanto, não o santificou a ponto de obter tantas manifestações de desprendimento não remunerado. Ainda mais quando há, no meio dos filantropos, um Gabriel Chalita acusado na Operação Lava Jato.
A Comissão de Transição está entrando em campo. Todo cidadão tem a obrigação de denunciar, caso o super elenco de Wilson Lima ameace jogar de salto alto. O manauara general Franklimberg de Freitas tem estrutura intelectual e estatura política para atuar na vanguarda dessa vigilância.
Agora imaginemos o cenário mais positivo possível.
Wilson teria conseguido, com essa Comissão de Transição, caminho para visão isenta da máquina estadual. A alternativa, diante dos quadros da “velha política” local, seria contemplar interesses em contratos milionários que sugam o Estado. A assepsia dos escolhidos traria enxugamento inédito, ampliando a capacidade de investimento, abrindo o horizonte do desenvolvimento.
Não parece incrível que, num Amazonas com orçamento de R$ 18 bilhões/ ano, sobrem apenas R$ 800 milhões/ ano para investimento? Uma constatação como essa, em prova de capacidade administrativa, daria nota zero para qualquer administrador.
Tomara que o novato tenha tomado o caminho certo.
Tomara.
O Amazonas não suporta um novo 2017, com cassação e prisão de governador e três governadores no cargo.
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