Amazonino busca alianças, mas sem apetite para governar o círculo limitado derrubará o dominó chinês

Amazonino busca alianças, mas sem apetite para governar

Amazonino busca alianças, mas sem apetite para governar ele corre o sério risco de derrubar o dominó chinês que precisa ficar de pé para reelegê-lo

O governador Amazonino Mendes sempre se mostrou especialista na “guerra com a espada embainhada”. Antes do confronto propriamente dito, como preconiza o chinês Sun Tzu, ele aniquila os adversários. Chegou a disputar o Governo do Estado contra Nonato Oliveira (1994) e o Senado com Marlene Pardo (1990). Agora busca, nas alianças, o enfraquecimento dos adversários, mais até que o próprio fortalecimento. A habilidade do governador, porém, esbarra em dois obstáculos: a falta de apetite para governar e o círculo cada vez mais restrito de empresários, amigos e assessores com acesso.

Amazonino tem lampejos de pragmatismo. Tinha que decidir entre o senador Eduardo Braga e o prefeito de Manaus Arthur Virgílio. Braga, como resultado, está fora do arco de alianças do governador e já anunciou que marchará sozinho. A troca, na prática, afastou o MDB e trouxe o PSDB. As duas siglas têm, praticamente, o mesmo peso de verba partidária e tempo na propaganda. Só precisa ficar atento para verificar se, com essa manobra, não mexeu com os brios do adversário de 2017. O recall da eleição-tampão e a fama de tocador de obra podem acabar motivando o eleitor. E transformando a disputa num novo plebiscito Amazonino-Braga.

Mais que manobras mirabolantes, porém, Amazonino precisa melhorar dois movimentos. O primeiro é que, despachando na casa do Tarumã e desdenhando a agenda, demonstra falta de apetite para governar. Foi esse o principal fator que o impediu de concorrer à reeleição na Prefeitura, em 2004. As notícias do governo entregue ao secretariado e ao pequeno círculo de amigos acabou solapando a popularidade dele. Isso, e mais os despachos em meio ao dominó, no Tarumã, formou o bolo que o fez “colocar o pijama”.

Agora tudo se repete. A diferença é que, ao contrário da Prefeitura de 2004, o Governo do Amazonas tem dinheiro no cofre. Sim. Apesar da crise, dos golpes de Temer contra a Zona Franca, da estagnação econômica, o cofre está recheado.

Dinheiro no cofre equivale a dinheiro disponível, para Amazonino, a julgar pelo pouco caso que faz da Justiça e do Ministério Público. Ou nas mais de 300 dispensas de licitação, beneficiando círculo restrito de empresários. Isso faz toda diferença, num Amazonas acostumado a votar com asfalto. E onde eleições são ganhas por quem reúne o maior número de prefeitos.

A população, indefesa, assiste à morte de uma figura indispensável à administração: o espírito público.

Faltam planos. Todos buscam alianças, constróem projetos pessoais e ninguém apresenta um projeto sequer. É daí que nasce o cenário pós-eleição, com o eleito se achando capaz de qualquer loucura. Com nada se compromete. Nada faz. Nada se lhe pode cobrar.

O Pará, enquanto isso, embora geograficamente semelhante, projetou 30 anos de realizações. Segue a cartilha à risca. Vai escapando olimpicamente da crise e mantendo o ritmo de crescimento. Em breve, ao Amazonas restará o caminho do comercial do Posto Ypiranga: Como resolver a pobreza do Amazonas? Pergunta lá no Pará. Como criar empregos fora da Zona Franca? Pergunta no Pará. Cidades do interior crescendo mais que a capital? Como explorar minérios? Turismo? Gastronomia? Tudo pergunte lá no Pará.

Amazonino, enfim, pisa em ovos. Sabe que nem todo o planejado se concretiza. Tem sempre a necessidade de combinar com os russos. Para quem não entende a expressão: O técnico Zezé Moreira, numa partida Brasil x Rússia, chama Garrincha. “Mané, vai lá, dribla os teus marcadores, chega na linha de fundo e chuta na cabeça do Vavá. Deixa que ele faz o gol”. E o “demônio das pernas tortas”, com a fama de ingênuo, pergunta: “Mas você já combinou com os russos?”.

Parece fácil, mas Amazonino, para se eleger, terá que ampliar o próprio círculo. Não é possível o empresariado amazonense, vendo o patrimônio concentrando na mão de meia dúzia, não reagir.

O dominó chinês é lindo, longo, complexo e engenhoso, quando de pé. Basta derrubar uma pedra, no entanto, e tudo cai por terra. O ano, esta eleição de 2018, promete.

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