
Começou a Lava Jato do Amazonas. Ana Paula Serizawa, jovem, sorridente (vestindo branco e preto), na foto ao lado da também juíza Jaiza Fraixe: Sérgio Moro de saias do Amazonas?
O Ministério Público Federal no Amazonas (MPF), a Polícia Federal e a Receita Federal estão atuando em conjunto no Estado. Cruzaram os dados do ex-governador José Melo. Quebraram o sigilo bancário. Viram que ele declarou à Justiça Eleitoral bens de R$ 699 mil e movimentou muito, mas muito mais. Não declarou a casa atual, que vale R$ 7 milhões. Nem o famoso sítio de Rio Preto da Eva, com ramal asfaltado – um luxo, no Amazonas dos ramais de piçarra. E isso é só uma parte. Os cruzamentos abriram o apetite dos analistas. Mais gente terá bens e renda cruzados. Ou deixaram o leão morder ou terão problemas agora. Mansões, empreendimentos e ostentação viraram alvos. Nem Maus Caminhos, Custo Político ou Estado de Emergência. O nome é Lava Jato Baré. Está ficando difícil fazer festa com o dinheiro público.
De que é feita a Lava Jato Brasil? De uma série de dados, que foram surgindo meio ao acaso. Depois foram cruzados. Acabaram aparecendo brechas no sistema secular de roubo ao Estado Brasileiro. Os promotores encontraram suporte em alguns juízes federais de tutano, como Sérgio Moro. E estava feita a receita para a operação mais profunda contra a corrupção do País.
O juiz federal Wendelson Pereira Pessoa transformou a prisão preventiva de Evandro Melo em domiciliar. E negou os demais pedidos. Ricardo Sales, que o sucedeu, soltou José Melo, Afonso Lobo, Pedro Elias e Wilson Alecrim. O MPF alegou que Sales feriu o direito ao contraditório e apelou por correição de suas decisões. Chegou Ana Paula Serizawa, juíza natural do feito e plantonista neste domingo (29/12). Desfez tudo e mandou Melo, Evandro, Afonso, Pedro e Alecrim de volta à cadeia. É um panavueiro estranho para o distingo jusrisdicionado. O Tribunal Regional Federal 1ª Região (TRF1), que subordina a Justiça Federal do Amazonas, terá que chamar todos à ordem.
Raul Zaidan, ex-chefe da Casa Civil, não foi preso novamente porque a soltura dele se deu em decisão de Ana Paula Serizawa. Ela própria entendeu que não havia razão para mantê-lo preso. E plantonista não pode refazer decisões já tomadas pelo juízo natural. Foi aí que a própria Ana Paula encontrou espaço para desfazer o feito de Ricardo Sales.
Entre os documentos que vazaram dos processos de ex-governador e ex-secretários há algumas informações importantes. Novas buscas foram feitas e novas provas estão sendo estudadas. O MPF-AM chega a afirmar que as novidades são “robustas”.
O MPF-AM deixa escapar, de leve, que o mandado de busca e apreensão cumprido na empresa Para Guardar deu resultado. Afirma que ali há novas provas contra José Melo e a ex-primeira-dama Edilene.
Surgiu também a informação de que a Polícia Civil está investigando o “apagão” na informática do TCE. O MPF-AM deixou escapar a suspeita de que ele tenha saído de uma ordem de Mouhamad Moustafa.
Problema é que Mouhamad Moustafa fala muito. Gabava-se de dar dinheiro e presentes caros para ocupantes do poder. Chegou a dizer que tinha um avião. E, efetivamente, viajava de um lado para o outro em uma aeronave de luxo. Mas o avião não era dele. Só aluguel.
O Ministério Público Estadual do Amazonas (MPE-AM) está com o dedo no gatilho. O Grupo de Atuação Especial Regional para Prevenção e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) tem uma série de ações contra prefeitos e ex-prefeitos. Envolvem mais de 30 Municípios. Tem feito uma série de movimentos de estruturação. Está chegando a hora de disparar.
Escrevo a poucas horas da virada. De nada vale esse barulho todo se não representar mudança. O Portal do Marcos Santos publicou íntegras de processos envolvendo políticos com um objetivo: mostrar como o Amazonas tem sido dirigido por quem não está à altura da tarefa. Tal constatação, porém, só tem valor se, em 2018, o eleitor fizer sua parte. Sem a confirmação do voto qualquer operação, como Maus Caminhos, Custo Político e Estado de Emergência, vale quase nada. Nem a Lava Jato nacional se sustenta. Façamos nossa parte. Vamos amar o Amazonas. O Brasil precisa de amor. Feliz Ano Novo.
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