20/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

A disputa entre Amazonino e Braga no 2º turno e os votos de Rebecca e José Ricardo no 1º Turno

Publicado em 06 de agosto, 2017

Agora é com Amazonino e Braga

Amazonino Mendes e Eduardo Braga estão no 2º Turno da eleição suplementar para governador do Amazonas. Eram, desde o início, os dois candidatos mais prováveis. Rebecca Garcia ainda conseguiu desgarrar do segundo bloco, com apoio do governador interino David Almeida, mas não teve tempo para chegar em Braga e já decidiu pela neutralidade no 2º Turno. José Ricardo surpreendeu a todos, ficou com o quarto posto geral e o segundo lugar na capital, se tornando o apoio a ser conquistado.

Amazonino e Braga já disputaram o mesmo posto em 1998, quando Amazonino se reelegeu, e em 2006, quando Braga foi o reeleito. Agora vão fazer uma espécie de “final da melhor de três”.

O experiente dono de três mandatos de governador e outros três de prefeito terá que, neste 2º Turno, renovar o discurso. É difícil manter o charme do “vou arrumar a casa”, como samba de uma nota só na nova etapa da disputa. Mas precisa, teoricamente, de apenas algo em torno de 12 por cento a mais para vencer a disputa.

Braga tem uma tarefa mais difícil. Ficou 13 pontos atrás e isso é obstáculo respeitável. Precisará usar a influência da senadora Vanessa Grazziotin e do partido dela, o PCdoB, junto à direção nacional do PT, para arrebanhar José Ricardo para a campanha. Marcelo Ramos, o vice que estava trabalhando a capital, reconheceu que melhorar em Manaus é o desafio do 2º Turno.

Será irônico o PT apoiando candidato do PMDB, partido algoz de Dilma e sigla de Michel Temer, mas cabe tudo no “pragmatismo” dos tempos atuais da política brasileira.

O tempo também trabalha contra Eduardo Braga. Se a visibilidade dele, como simples candidato a uma vaga no 2º Turno, garantiu diversas manchetes em publicações nacionais, a disputa direta pela cadeira de governador vai atrair mais e mais atenção nacional. Inclusive do Ministério Público e da Justiça Federais, devido às acusações surgidas contra ele na Operação Lava Jato. Mais tempo, mais chance de novos desdobramentos negativos, notinhas, vazamentos, desgaste.

Rebecca Garcia dividiu com José Ricardo o sentimento popular que busca o novo. Não conseguiu se tornar, sozinha, o receptáculo desse anseio. Os 18,06% que obteve, mais os 12,17% dele seriam mais que suficientes para garantir o 2º Turno.

Existe, por outro lado, um sentimento residual em favor do PT, apesar do impeachment de Dilma, da condenação de Lula e dos escândalos da Lava Jato. José Ricardo tem capitalizado bem esse público, desde a eleição para prefeito, ano passado, quando também foi o quarto colocado. Isso representa capital político acumulado para garantir um mandato de deputado federal, ano que vem, quando não poderá arriscar mais nada, uma vez que é quando perde a vaga na Assembleia Legislativa.

O Amazonas espera dos dois preliantes do 2º Turno planos concretos. Dou uma lista, a seguir:

Conclusão da AM-070 e estruturação do arranjo econômico dessa rodovia para a produção agrícola e o abastecimento de Manaus, Iranduba, Manacapuru e Novo Airão;

Recuperação imediata da esburacada rodovia Manacapuru-Novo Airão e recuperação do porto de Novo Airão para acelerar a viagem e o escoamento de passageiros e produção dos Municípios do rio Negro (Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, Barcelos e Novo Airão);

Construção de porto em Manacapuru para receber toda a produção das calhas dos rios Purus, Juruá e Solimões;

Redução do ICMS para os 18% anteriores às loucuras de Melo e cia.;

Fim da substituição tributária, que chega a elevar impostos cobrados em certos produtos aos inimagináveis, impensáveis, absurdos 70%, no dia seguinte à posse, porque a Nota Fiscal Eletrônica substitui com folga esse instrumento;

Parceria com a Prefeitura de Manaus para eliminar quaisquer impedimentos e asfaltar, ajardinar e mandar ladrilhar com pedrinhas de brilhante as ruas do Polo Industrial. É um absurdo que a galinha dos ovos de ouro do Amazonas seja tratada a pontapés pelas mesmas autoridades que juram amores pela Zona Franca, quando em períodos eleitorais;

Unir a Secretaria Estadual de Cultura e a Amazonastur, dotando a nova pasta, de Cultura e Turismo, de orçamento e prestígio para tornar o turismo prioridade número um do Governo do Estado;

Tem mais sugestões? Poste um comentário aqui embaixo. Vamos importunar os dois para mostrar que não queremos sorrisos ou discursos. O Amazonas quer ação.

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