21/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

As ‘amarras’ de Arthur e Omar na reeleição de José Melo

Publicado em 20 de agosto, 2014

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), terá sérias dificuldades junto à direção nacional de seu partido por conceder o horário no rádio e na TV para José Melo (PROS), caso este peça voto para Dilma Rousseff (PT) nestas eleições 2014. O PT – e Dilma em particular – apoia Braga. O ex-governador Omar Aziz (PSD), por seu turno, caminha a braçadas para se eleger senador, muito distante do segundo colocado, Francisco Praciano (PT). Arthur e Omar, por essas razões distintas, estão longe do engajamento completo na candidatura de Melo. Há razões locais fortes, porém, pelas quais ambos acabarão mergulhando na campanha.

Omar Aziz é um alvo de Eduardo Braga. Não foi à toa que o senador chamou o deputado federal mais votado na última eleição, Francisco Praciano (PT), para disputar o Senado. Repete a fórmula usada contra Arthur Virgílio, em 2010. Na época, a “imagem” da vez era a da “mulher com história nas lutas sociais”, onde a hoje senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) se enquadrou.

Braga, que se esforça para vencer ainda no 1º Turno, só se voltará para Omar se estiver com a própria eleição resolvida. Como a eleição de senador só tem um turno, Omar só terá que manter o principal adversário, Braga, ocupado enquanto os próximos 45 dias passam. Qual a melhor fórmula? Fazer Melo crescer e aparecer.

Arthur Virgílio, por outro lado, não entrou na campanha. Espera, ainda, que José Melo formalize o apoio a Aécio Neves (PSDB). Só que, no ambiente atual da eleição presidencial, o cenário não aconselha o governador a tomar esse gesto.

Dilma está estabilizada na primeira posição, embora, com a ascensão de Marina Silva (PSB), o 2º Turno seja favas contadas. A notícia ruim para os tucanos é que começou uma disputa, parecida com a que ocorreu, em 1989, entre Lula e Brizola contra Collor, agora envolvendo Aécio e Marina, sobre quem será o adversário da presidente. O cenário local, para piorar, continua mostrando Dilma com mais de 60% dos votos amazonenses. O Amazonas, aliás, é hoje o único Estado do Norte onde ela apresenta esses números, frutos do acachapante apoio anterior de Braga, Omar, Melo e toda máquina estadual para ela.

Há outras razões, noves fora o embate nacional, para Arthur mergulhar na candidatura Melo.

O mais forte de todos é a figura de Eduardo Braga. O prefeito de Manaus vai enfrentá-lo na campanha da reeleição. A dúvida é se Braga virá fortalecido pela vitória na eleição atual e já dispondo da máquina estadual, ou enfraquecido pela derrota, embora montado no “recall” (exposição de imagem, recordação, lembrança) deste pleito. No primeiro caso, o candidato será outro, mas alguém que o senador-governador tratará de cultivar desde o primeiro momento – a vice, Rebecca Garcia (PP), provavelmente, ou Marcos Rotta (PMDB) ou Hissa Abraão (PPS), ambos hoje candidatos a deputado federal.

O natural é que candidato à reeleição cresça durante a campanha. Tem a máquina. Conta com a exposição institucional na mídia convencional. Nenhum prefeito de interior passa incólume por um mês sem verba estadual extra. Melo passou dos 30% e continua crescendo. Tudo isso indica que, logo, Arthur e Omar passarão a fazer mais pela chapa do governador.

O quanto isso representará na definição do pleito e como Braga reagirá a um engajamento que torne forte a coligação em torno de Melo? Os próximos – apertadíssimos – 45 dias dirão.

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