Quinze pacientes de quatro municípios do Alto Solimões iniciaram nova etapa de vida. Eles foram submetidos a cirurgias lábio leporinas, no Hospital Geral de Benjamin Constant Dr. Melvino de Jesus, realizadas por uma equipe multidisciplinar formada por especialistas de Manaus e do Ceará. Dos quinze pacientes, dez foram crianças indígenas de Benjamin Constant, Tabatinga, São Paulo de Olivença e Tonantins.
Durante dois dias, cirurgiões plásticos, buco maxilar, anestesista e enfermeiros, realizaram 25 procedimentos cirúrgicos da Jornada de Cirurgia Lábio leporino.
A jornada faz parte do programa Amazonas Saúde Itinerante do Governo do Estado, em parceria com o Hospital de Anomalias Crânio Faciais da Universidade de São Paulo, campus de Bauru, Igreja Adventista de Manaus, da organização não governamental Smile Train e da Prefeitura de Benjamin Constant.
Inicialmente estavam inscritos 38 pacientes. Deste total, 23 não estavam em condições clínicas para serem submetidos a cirurgias após avaliação dos médicos.
Segundo o coordenador da jornada, o odontólogo Joaquim Alves Barros Neto, uma segunda rodada de cirurgias será realizada em novembro deste ano em Benjamin Constant.
Para Joaquim Alves o maior desafio da primeira jornada de cirurgia foi provar que o Hospital Geral de Benjamin Constant proporcionar condições para realização de determinadas cirurgias de média e alta complexidade.
Os portadores de anomalias lábio leporino e do palato (céu da boca) — má formação congênita dos lábios e do palato — sofrem dificuldades na alimentação — principalmente as crianças lactentes — na fala e na sua socialização.
“O paciente fissurado sofre um grave problema social, que é a rejeição, principalmente a criança, que inicia seu processo de socialização a partir do momento em que ingressa na escola, se sente excluída. Começa a se fechar dentro de si, evita o olho a olho, fala pouco pela dificuldade proporcionada pela anomalia. Quanto mais cedo a gente intervir, mais importante se torna para a sociabilização, integração social dessa pessoa”, afirmou Joaquim Alves.
O cirurgião plástico do Ceará Eudes Soares de Sá Nobre, 57anos, disse que sua expectativa foi superada.
“É uma das experiências e um dos desafios mas gratificantes que eu já tive na minha vida por causa dessa dificuldade com infraestrutura e dificuldade de pessoal. Tudo foi resolvido com a boa vontade do pessoal local e do pessoal da capital, tanto no posto de vista de material humano como material cirúrgico. Tudo isso para tornar possível cirurgias de alta e média complexidade num hospital desse porte”, afirmou.
Já o anestesista Airton Marques de Almeida, 51, diretor clínico do Hospital de Anomalias Crânio Faciais da Universidade de São Paulo, campus de Bauru, disse ter se surpreendido com a jornada em Benjamin Constant.
“É uma iniciativa brilhante. Fiquei surpreendido pois eu esperava que poder ensinar alguma coisa e na realidade aprendi algumas coisas aqui, em Benjamin Constant, principalmente com seu povo, com o pessoal que organizou essa jornada de cirurgias lábio palatais e, principalmente, os funcionários do hospital que me surpreenderam pelo lado humano, pelo atendimento e pela técnica com que eles cuidaram das criancinhas aqui da região. Todos estão de parabéns”
Para outro cirurgião plástico que compôs a equipe, Álvaro Júlio de Andrade Sá, 36, o fato que mais chamou a atenção foi o grande número de crianças indígenas portadoras da anomalia.
Segundo Joaquim Alves, a ideia é manter este programa, levando a jornada de cirurgia para o interior do Estado. Antes do programa, o acesso a este tipo de cirurgia reparadora só era possível em Manaus ou em Bauru (São Paulo).
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