O encontro do senador e líder do Governo Dilma, Eduardo Braga, com o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, foi tenso e cheio de expectativa. Diplomata e afeito aos “sapos” da política, Arthur ligou para o adversário e ponderou que a defesa da Zona Franca é uma causa comum e os dois teriam que se cruzar, mais cedo ou mais tarde. Derrotado por Braga na eleição para o Senado Federal, em 2010, quando perdeu o mandato, Arthur o venceu, dois anos depois, quando o senador apoiou a candidatura da senadora Vanessa Grazziotin para a Prefeitura de Manaus.
O quadro ficou ainda mais, digamos, heterodoxo, para os padrões da política estadual, se levarmos em conta que a dupla tinha a companhia do governador Omar Aziz, cujas divergências com Braga têm sido cada vez mais evidentes, e da própria Vanessa, que andava tão “amuada” a ponto de não ter destinado nem um centavo das suas emendas parlamentares à Prefeitura de Manaus, no Orçamento da União de 2013.
Os quatro, unidos, marcharam para a sala de reuniões da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e a eles se juntou o até então ausente senador Alfredo Nascimento. Foi assim que todos comemoraram a derrota do destaque do senador Eduardo Suplicy, que cumpriu o didático papel de mostrar que, quando se trata de Zona Franca, não importa se o parlamentar é do PT ou do PSDB – se é de São Paulo está contra o Amazonas –, como bem deixou claro o tucano Aloísio Nunes.
A cobrança da taxa de 12% de ICMS no Amazonas, enquanto nos demais Estados do Norte e os do Nordeste fica em 7% e no Centro-Oeste, Sul e Sudeste vai para 4% ainda está longe, porém, da aprovação final. Vem aí mais uma batalha no plenário do Senado e, depois, no plenário da Câmara Federal. A guerra é longa e não de tiro curto.
A indagação que todos se fazem, neste momento, é sobre a repercussão da união momentânea de Omar, Braga e Arthur, com Vanessa e Alfredo vindo a tiracolo, na disputa do Governo do Amazonas, em 2013. A formação de um “chapão” barateia a campanha para todos. O problema é que, como sempre acontece quando uma força muito acachapante se une, há o risco de surgir uma força contrária capaz de cativar a simpatia popular.
Garrincha, que o folclore futebolístico não tem na conta dos jogadores mais inteligentes, foi chamado no vestiário pelo técnico da Seleção Brasileira, antes de uma partida contra a União Soviética. “Vai lá, Garrincha, dribla o lateral, vai até a linha de fundo e cruza na cabeça do Vavá que ele faz o gol”, disse o treinador. E Mané: “O senhor já combinou isso aí com os russos?”
Estão pipocando pesquisas mostrando que Braga parte para a eleição com números mais baixos que os de Alfredo Nascimento, derrotado por Omar Aziz, no 2º turno da eleição de 2010, com a maior margem da história amazonense. Há, evidentemente, diferenças claras entre os dois. Enquanto Alfredo só caiu, mesmo no período pré-eleitoral, Braga mostra, ao estender o “tapete vermelho” para o prefeito, como o próprio Arthur descreveu o encontro dos dois, em entrevista à rádio CBN Manaus, que tem uma cintura mais maleável. Surge no horizonte, com uma luz surpreendente, a figura da deputada federal licenciada para a Secretaria Estadual de Governo (Segov), Rebecca Garcia.
Resta saber se, na hora da decisão, os líderes saberão combinar as decisões políticas com os russos. E se viveram o suficiente para aprender que às vezes se ganha perdendo ou se perde ganhando.
Ainda bem que política não é uma ciência exata.
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