Os bastidores de uma campanha política têm movimentos que são considerados decisivos pelos caciques da política local. Um deles diz respeito aos acertos com certas igrejas evangélicas, onde despontam a Assembleia de Deus, do deputado federal Silas Câmara, e o Ministério Internacional da Restauração (MIR), do “apóstolo” Renê Terranova. Sem contar a comunidade paraense radicada em Manaus, que, segundo reza a lenda, é organizada e tem cerca de 300 mil integrantes.
O resultado da eleição para vereador, no entanto, parece estar desmentindo a força desses apoiadores.
Renê Terranova investiu todas as fichas, realizando cultos e mais cultos, fechados, pedindo votos para reeleger o vereador Marcel Alexandre. O MIR teria, segundo o verbete registrado na Wikipedia, a enciclopédia livre da Internet, 120 mil fiéis em Manaus. Ora, isso dá pelo menos 70 mil votos e Marcel teve apenas 8.354.
Os paraenses, por outro lado, estavam fechados em torno da candidatura do radialista Souza, apresentador do “Palco Brasil”, na rádio Tiradentes (89,7). E Souza teve minguados 1.054 votos. Ou a colônia não está ligada em política ou deixou de lado o proverbial bairrismo ou não tem tantos membros assim.
A síntese desses fatos é boa para a democracia. Igrejas não são currais eleitorais e sim pontos de adoração espiritual. Fiéis não podem ser tratados como massa de manobra para os grandes negócios feitos pelos seus líderes, que pagam carrões, mansões e até aviões.
A exploração da fé para obter bens materiais é um grande pecado. Os congregados do Ministério Internacional da Restauração parecem estar dizendo que, em termos de eleição, cada um segue sua própria opinião e ponto final. Ainda bem.
Veja mais notícias em Opinião