05/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Saída de Rebecca mostra o lado mais sórdido dos bastidores da política. Jogo contra ela foi pessoal e direto

Publicado em 30 de junho, 2012

A deputada Rebecca Garcia vinha recebendo sinais cada vez mais claros de que seria combatida de dentro da coligação que reunia o partido dela, o PP, o PSD do governador Omar Aziz e o PMDB do senador Eduardo Braga. Numa reunião, realizada no começo da noite de sábado, o senador esgrimiu uma série de argumentos contra a candidatura dela. E algo aconteceu. A deputada fez um desabafo ao blog: “Não entrei na política para participar desse tipo de jogo”.

O que isso significa?

Há um lado sombrio na política do Amazonas. Um caminho feito de dossiês, escutas telefônicas clandestinas – com equipamentos sofisticados – e muito dinheiro utilizado para realizar pesquisas minuciosas, quase hora a hora, acompanhando tendências.

Ironicamente, foi uma pesquisa dos últimos dias, mostrando Rebecca Garcia à frente entre os candidatos a prefeito, que fez desabar sobre ela a oposição que a tirou do processo.

Sempre houve uma parte visível desse lado sórdido na política estadual. Lembram do episódio Serafim-Soraia? Ou a acusação de pedofilia a Omar Aziz? É por aí que caminha o lado provinciano da nossa política. É um vale tudo pelo poder.

No caso específico de Rebecca, pelo que soube, as ameaças vão desde o corte no financiamento de campanha até o ataque direto à sua família. Há coisas que são perfeitamente defensáveis, explicáveis, inteligíveis, mas num plano de racionalidade que não cabe quando se trata de relações pessoais, do tête-à-tête homem-mulher, quando há crianças, sogros e sogras envolvidos. Aí, diante da falta de escrúpulos, quando tudo pode ser dito, da mais deslavada calúnia à verdade mais crua, qualquer um pensa duas vezes.

É preciso muito apego ao poder para colocar em risco tudo o que a família construiu financeiramente, ao longo da vida, e a própria estabilidade familiar.

Soube que Rebecca recebeu um ultimato. Mascarado de “sinceridade”, mas ultimato sim. Algo que confirmou tudo de que ela já suspeitava. Um jogo bruto que ela julga não valer a pena jogar, exceto em condições muito especiais. Creio ser mais provável que o plano “maior”, urdido por uma mente maquiavélica, vá prevalecer. E daí emergirá o nome do candidato ou da candidata a prefeito (a) pelo grupo Omar-Braga.

Para nós, mortais, o fundamental é perceber claramente que o futuro do Amazonas está sendo jogado de modo rasteiro, na base da chantagem e do dinheiro.

Uma lição? Talvez. Tomara que ela valha para abrir os olhos dos líderes. Só eles podem barrar esse absurdo.

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