Lançar um novo produto e garantir que ele não seja utilizado indevidamente antes ou depois de sua entrada no mercado é uma tarefa demorada e onerosa, mas que justifica o retorno financeiro futuro. Foi o que defendeu a analista de patentes de uma consultoria particular, Elza Durham, durante palestra sobre oportunidade de novos negócios, ocorrida no seminário Propriedade Intelectual e Inovação, realizado pela Agência de Inovação da Universidade do Estado do Amazonas, na terça-feira (29), em Manaus.
“A inovação é algo inerente às universidades, mas também precisa se fazer presente nas empresas brasileiras. Nos países desenvolvidos é comum que as empresas tenham parte do seu orçamento destinado exclusivamente a pesquisas”, disse Elza, ressaltando que a mesma preocupação em investir em inovação não é vista nas empresas do Brasil.
Entre os benefícios adquiridos a partir de investimento em inovação estão a valorização de produtos em até 30% em relação ao concorrente que não inova; geração de mais empregos e com remuneração superior; e maior volume de exportação, geralmente cinco vezes acima do volume regular.
Além das questões mercadológicas, foi abordada também a parte legal do processo de lançamento de produtos. A assessora de inovação tecnológica da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a advogada Rosa Miriam de Vasconcelos, disse que o processo de legalização de pedidos de patentes tem legislação própria que deve ser seguida rigorosamente. “Quem descumpre a lei na área de patentes e propriedade intelectual está sujeito a penalidades cumulativas”, alerta Rosa.
Segundo a advogada, somente em 2010, 60 instituições de pesquisa em todo o País foram multadas em R$ 123 milhões devido, por exemplo, ao uso impróprio de matéria-prima orgânica em pesquisas. “Se o pesquisador ou instituição não puder comprovar a origem legal de uma planta, sugiro que nem gaste dinheiro com a pesquisa, porque ela será vetada. O trabalho intelectual não terá validade e ainda vai resultar em diversas multas e penalidades legais”, explica a advogada.
Valorização do regional
Financiamento à inovação foi o tema da palestra realizada pelo coordenador nacional do prêmio Finep, Carlos Ganem. Segundo ele, cada região do País precisa ser valorizada por suas peculiaridades. “Nossa meta é promover um desenvolvimento sustentado, ambientalmente justo e absolutamente apoiado na sociedade do conhecimento, com a mão-de-obra do local bem formada, instruída e treinada para produzir resultados”, afirmou Ganem. A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) é uma empresa pública ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
O seminário Propriedade Intelectual e Inovação, com o tema Proteção para valorização do conhecimento, ocorreu na Escola Superior de Tecnologia, da UEA, está localizada na Avenida Darcy Vargas, nº. 1.200, Parque Dez de Novembro, em Manaus.
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