Deu apagão? Problema dos raios. Faltou água? Problema da Amazonas Energia.
Em Parintins, durante muitos anos, dois grupos políticos se revezaram no poder. Um brigava com o outro e o eleitorado se dividia. Virou uma coisa de flamenguistas X vascaínos ou, melhor ainda, Caprichoso X Garantido. Enquanto os “contrários” discutiam em mesa de bar, os “adversários políticos” se revezavam no poder. Doze anos pra um, oito anos pra outro… e a cidade marcando passo.
Parece que Amazonas Energia e Águas do Amazonas descobriram a fórmula. Um culpa o outro. Dirigentes dos dois órgãos chegam a bater boca, em nota oficial e até diretamente, nos meios de comunicação, enquanto a cidade vai sofrendo apagão no verão e apagão no inverno, falta d’água com chuva, desabastecimento com sol.
Desde sexta-feira, moradores de Eliza Miranda, Acácia, Lagoa Verde, Nova República, parte do Crespo, parte da Betânia, parte do São Lázaro, Bom Jardim, Mauá I e II, R1 e R2, Japiim, Atílio Andreazza e Distrito Industrial estão sem água. Só hoje foram providenciados carros-pipa, coisa de seca nordestina e bem na beira dos rios Amazonas e Negro.
A Agência Reguladora de Serviços Concedidos do Amazonas (Arsam), órgão do Governo do Amazonas, vive essa situação híbrida de “multadora”, enquanto a aplicação da multa e o poder concedente pertencem à Prefeitura de Manaus.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) comporta-se como um órgão do Governo Federal, sob a tutela do presidente do Senado, José Sarney, e dos demais líderes do PMDB, que são donos do Ministério das Minas e Energia. Logo, não vai punir uma galinha dos ovos de ouro de investimentos, como a Amazonas Energia.
Só nos resta apelar para o Ministério Público Estadual, que, numa parceria com o Ministério Público Federal, é a única instância capaz de desvendar o cipoal legal que permite esse abuso diário na cidade-Estado onde se localiza o terceiro maior Polo Industrial do Brasil.
O Acre, diante da perspectiva de construção das usinas de Jirau e Santo Antonio, está recebendo uma verdadeira corrida de empresas querendo se instalar em Rio Branco. Energia é fundamental para a indústria.
As autoridades comprometidas com o Estado e que estão preocupadas com os “inimigos” da Zona Franca, os paulistas, e o fogo amigo do Governo Dilma, precisam ficar de olho. Águas do Amazonas e Amazonas Energia, unidas desse jeito, podem acabar fazendo mais pelo fim do modelo de desenvolvimento da Amazônia Ocidental que qualquer outra coisa.
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