Um amigo relatou curioso e esclarecedor debate ocorrido entre Tseng Ling Yun, ex-diretor da Proview em Manaus e atual chefe do escritório do Amazonas em São Paulo, com um ministro do Governo Dilma.
A autoridade federal dizia que “o Amazonas deve procurar sua vocação natural…”, sugerindo que a Zona Franca deveria ser substituída pela exploração sustentável e bioindustrial da Floresta Amazônica.
Tseng levantou a voz: “Nosso caboclo consegue fabricar uma motocicleta mais rápido que os japoneses. Nossos produtos eletroeletrônicos não ficam nada a dever em qualidade para os melhores do mundo. Então nossa vocação é também de Polo Industrial!”.
Precisou um coreano dizer, e isso pode ser doloroso para um ou outro ego, mas eis aí arma que não está sendo esgrimida pela representação amazonense. Em 33 anos de Zona Franca, nosso caboclo pegou o jeito e se qualificou como excelente mão de obra do chão de fábrica, como adorava repetir o ex-presidente Lula.
Nesse momento, porém, no Planalto Central, um grupo de iluminados ignora as lideranças do 3º maior polo industrial do País, os técnicos da Suframa, os políticos do Estado que ofereceu à presidente Dilma o maior porcentual proporcional de votos e finaliza a nova política industrial brasileira.
O que virá amanhã?
Fiz essa pergunta a diversos técnicos entendidos nas áreas tributária e fiscal. Ninguém sabia. Ou seja, o futuro do Amazonas está sendo decidido sem audiência aos amazonenses.
Perdemos muiiiito tempo usando mal o dinheiro que ganhamos com a Zona Franca. Deixamos o Governo, há anos, consignar uma parte substancial, a título de superávit primário, mas o que ficou dava para tornar o interior um contribuinte da economia estadual, retirando-o dessa condição sofrível de pedinte do grande-irmão, o governador de plantão – e isso quem diz é o próprio ex-governador Amazonino Mendes, um dos três únicos condestáveis que dirigiram o Amazonas desde 1982, uma vez que ele, Gilberto Mestrinho e Eduardo Braga dividiram oito anos dessa fatia cada um e o Governo Omar ainda não tem tempo para entrar nessa conta.
Vamos fazer as contas? Temos a parcela mais preservada da cobiçada Floresta Amazônica; há petróleo no Alto Solimões em quantidade superior à do pré-sal; somos o 3º maior Polo Industrial do Brasil.
Patrimônio nós temos. Só está faltando alguém bater na mesa. Omar ensaiou, Eduardo Braga (hoje) também. Está na hora de mostrar pro Governo Federal que amazonense não tem sangue de barata.
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