A onda que levou de roldão a cúpula do Ministério dos Transportes e à demissão do ministro Alfredo Nascimento ainda não diminuiu. Os boatos fervilham em Brasília. Fala-se agora na saída do Partido Republicano (PR) da base aliada, que dá apoio ao Governo Dilma, seguida do esvaziamento da sigla e da transferência de parlamentares para o Partido Social Democrático (PSD), do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, único partido para o qual a transferência é possível sem o risco de perda de mandato por infidelidade partidária – é um partido recém-fundado.
Líderes petistas retiraram todo apoio ao ex-ministro e já surgiram as primeiras vozes dizendo que a capacidade dele de fiscalizar o Poder Executivo, na condição de senador, está prejudicada. Isso significa que um processo de cassação do mandato, por quebra do decoro parlamentar, está muito próximo.
Para reforçar essa tese, se cassado Alfredo deixaria a vaga para o suplente João Pedro Gonçalves, do PT, amigo pessoal do ex-presidente Lula. A cúpula do PT não abre mão dessa vaga. O grupo foi decisivo na manutenção de Alfredo no Ministério dos Transportes, mesmo derrotado fragorosamente na eleição estadual do ano passado, e deve ser decisiva na abertura do processo na Comissão de Ética do Senado.
Outro que vai contribuir é o senador Eduardo Braga (PMDB-AM). Uma cassação de Alfredo significaria também a suspensão dos direitos políticos dele por cinco anos, o que afastaria o até então mais forte adversário de Braga na briga pelo Governo do Amazonas, em 2014.
PT e PMDB têm as duas maiores bancadas do Senado Federal. A bola de neve continua rolando ladeira abaixo.
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