
Novo 7 de setembro e o Pais segue pensando numa disputa estéril, enquanto problemas reais,como a BR-319, continuam sem solução. Ilustração criada por IA
O 7 de setembro não é apenas uma data cívica. É um chamado à memória e ao destino, à lembrança de que o Brasil nasceu para ser grande. O país tropical, dono do litoral mais belo do mundo, de florestas que fascinam o planeta e de um povo que nunca perde a alegria, carrega também a frustração de um tempo perdido.
Estamos há sete anos reféns de uma falsa dicotomia: Lula versus Bolsonaro. A cada nova comemoração da Data da Independência repetimos os mesmos discursos, as mesmas trincheiras ideológicas, os mesmos aplausos e vaias. Enquanto isso, questões centrais da Nação seguem abandonadas.
Ninguém exige uma rede ferroviária nacional, base da logística dos países desenvolvidos. Ninguém debate com seriedade a precariedade das estradas, salvo os amazonenses, atolados no lamaçal da BR-319, indignados pelo esquecimento de uma rodovia que deveria simbolizar integração e respeito ao interior profundo do Brasil.
É trágico constatar que, no lugar de um projeto de País, temos uma disputa que alimenta apenas dois grupos políticos e seus seguidores fanatizados. A ponto de verem os símbolos nacionais — o verde e amarelo, o azul e o branco — sequestrados, transformados em bandeira de uns, em vez de orgulho de todos.
O Brasil precisa desviar os olhos desse duelo estéril. Nem Lula, nem Bolsonaro se mostram à altura de estruturar a nação. A independência que precisamos hoje não é a de 1822, mas a que nos liberte da mesquinharia política, da paralisia diante dos grandes temas, da mediocridade que reduz o país a dois nomes.
Chega de patinar na mesma lama. É hora de construir o futuro, com planejamento, infraestrutura, ciência e desenvolvimento humano. O Brasil tropical, lindo e generoso, merece muito mais do que as disputas que o acorrentam.
Neste 7 de setembro, que cada brasileiro veja nos fogos, nas cores e no hino, não a vitória de um lado, mas o chamado de um País inteiro à grandeza que ainda precisa ser construída.
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