
A questão das big techs está adiada e a sociedade precisa entender melhor o que está sendo discutido
O Congresso Nacional decidiu pelo adiamento da votação do marco legal das redes sociais. A síntese, no ambiente permeado pelo antagonismo bolsominions X lulaminions, é que “o governo perdeu”. O que pais e responsáveis por crianças e adolescentes precisam saber é que, no âmbito das discussões, vieram à tona coisas escabrosas.
O jornalista Pedro Doria escreve hoje (05/04), na página B15 do Estadão, que a Meta, dona do WhatsApp, Instagram e FaceBook, “sabia que suas redes incentivavam depressão em adolescentes, automutilação, e jamais tornaram isso público”.
É claro que é imprescindível atenção e imposição de limites pelos pais. As empresas, no entanto, têm controle sobre o que circula nas redes, tanto que escolhem o que devem ou não impulsionar.
Doria explica que a legislação anterior, quando as empresas das mídias sociais eram frágeis, startups, permitiu que tivessem mais espaço. Agora, o projeto em discussão no Congresso Nacional defende que publiquem com regularidade relatórios de riscos sistêmicos. Em casos específicos, como é o dos projetos de nazistas que ameaçam escolas, as autoridades podem pedir atenção especial das plataformas.
O que não dá é que a sociedade continue de braços amarrados, diante da epidemia de mutilação, depressão e tentativa de suicídio, disseminada pelas mídias sociais, atingindo em cheio nossas crianças.
O indivíduo que passa à frente qualquer coisa, sem nenhum espírito crítico, contribui tanto para a enfermidade social quanto quem publica fake News. Até porque muito desse conteúdo é falso.
O Brasil não precisa ficar com “peninha” de Meta, Google ou Spotify, nem temer suas campanhas contra o marco das mídias sociais. A defesa dos adolescentes está em jogo. As big techs ou bilitechs são grandes. O Brasil é maior.