14/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Sofrimento na BR-319 não pode continuar sendo ignorado

Publicado em 05 de abril, 2023

Sofrimento na BR-319

Sofrimento na BR-319, a imagem diz tudo. Foto: viajantes

É um escândalo o modo como vivem os usuários da BR-319 (Manaus-Porto Velho). Imagine uma rua de Manaus, indispensável no dia-dia da cidade, dominada pela lama. Para os brasileiros do Careiro da Várzea e Careiro Castanho, principalmente nos distritos de Araçá, Sumaúma, Tupana e Igapó Açu, a rodovia tem uso diário. Idem para quem mora em Autazes, Manaquiri e Nova Olinda do Norte. Isso para ficar apenas na parte “fora do litígio” do Trecho do Meio, que vai do KM-250 ao KM-655.

Este portal noticiou, hoje (05/04), cedo, que a viagem entre Careiro Castanho e Igapó Açu, trecho de 160 quilômetros, está sendo feito em 11 horas. Em seguida, usuários ligaram avisando que demoraram sete horas para viajar da Vila Gutierrez ao distrito do Araçá, 39 quilômetros depois. É que quebrou o motor da balsa no rio Curuçá, onde uma ponte caiu.

Um político, em momento de absoluta leseira baré, criticou a ponte Jornalista Phelippe Daou porque leva “do nada a lugar nenhum”. Um total desrespeito para com os moradores de Iranduba, Manacapuru e Novo Airão, que de forma direta se beneficiam da obra. É o tipo de equívoco que o “mundo civilizado” não comete.

Qualquer buraco no território dos EUA, seja uma pequena vila de pescadores no Maine ou um gelado povoado nos arredores de Seattle, tem estrada.

A famosa floresta das Ardenas, na Bélgica, é recortada por rodovias bem asfaltadas.

A Floresta Negra, na Alemanha, tem rodovia e ferrovia “a botão”, como diz nosso povo.

Por que a BR-319 não pode ser uma rodovia brasileira, isto é, dos brasileiros que moram isolados e praticam a preservação da Floresta Amazônica?

Uma alegada invasão de desmatadores, sojeiros e pecuaristas, só ocorreria se houvesse absoluta incompetência das mesmas autoridades que alegam ser esse um perigo.

A BR-319 asfaltada, ao contrário, ajudaria na preservação. Seria a melhor forma de levar fiscalização às vastas matas que atravessa. Um exemplo? Por detrás de uma pequena cobertura vegetal, entre Careiro Castanho e Igapó Açu, justo esse trecho dominado pelo lamaçal, a mata está sendo substituída por pasto. Impiedosamente. As autoridades foram alertadas, mas, até agora, ninguém nada fez.

Como a fiscalização chegará até lá? Metendo o pé na lama? Marina Silva (que é contra a estrada e pronto!) parece esquecida da origem humilde, no interior do Acre. Ela deveria pagar uma prenda: fiscalizar, pessoalmente, toda a BR-319. De ônibus. Nada de helicóptero, nem drone ou qualquer outro artifício.

Não se trata apenas de escoamento do Polo Industrial de Manaus (ZFM). Nem da integração terrestre do Amazonas e Roraima ao resto do Brasil. Tampouco de desprezo a potenciais danos ambientais. Tudo isso é relevante e seria suficiente para justificar o asfaltamento. Mas é questão de respeito, mínimo que seja, por esses compatriotas que vivem na região. Que não são em nada diferente, no que diz respeito aos direitos de cidadania, dos brasileiros do resto do País.

A BR-319 merece uma caravana de vereadores e deputados estaduais, juntando-se à bancada federal, em Brasília, para exigir o asfaltamento da estrada. Cumpram-se os trâmites burocráticos. Preservem-se as garantias ambientais. Mas chega de preconceito e enrolação.

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