
As bilitechs estão em discussão, para regulação, no Congresso Nacional
As bilitechs, empresas bilionárias da Internet, como FaceBook, dono do Instagram e do WhatsApp, estão na mira do Congresso Nacional. O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) é o relator. A coisa está bem avançada e tudo indica que será criado um órgão regulador das mídias sociais. Uma instância capaz de punir com multas e até a suspensão dos serviços. A ideia central é impedir crimes na Internet, disseminação de ódio, ofensa racial, de gênero etc. E, também, claro, o combate às fake news.
Orlando Silva e o professor de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP), Pablo Ortellado, participaram do Canal Livre, da Band, neste domingo (02/04). Os dois estão plenamente antenados com o que fazem as mídias sociais, do desenho ao uso dos aplicativos.
Há de tudo, na avaliação do trabalho da comissão que estuda esse projeto, desde o lobby das bilitechs, até o preconceito com as opções políticas de Orlando Silva. Ele foi ministro dos Esportes de Lula e Dilma. É baiano e eleito por São Paulo. A verdade, no entanto, é que o parlamentar está cada vez mais seguro do trabalho relativo à relatoria desse projeto.
O que ninguém parece duvidar é que do jeito que está não pode continuar. O anonimato tem incentivado a disseminação de crimes. As empresas dos APPs criam suas próprias regras, a maioria baseada na busca de aumentar o faturamento.
O aluno de 13 anos que esfaqueou professora e colegas, em São Paulo, havia anunciado nas redes sociais que cometeria o crime. Foi expulso de outra escola pelo mesmo tipo de ameaça. A polícia não o impediu de matar uma professora de 75 anos e ferir três colegas.
O 8 de janeiro, com as depredações em Brasília, foi articulado, incentivado e preparado nas mídias sociais.
O risco é que o novo órgão resvale para a censura, mas Orlando garante que não será criado um “ministério da verdade”, nem impedida a publicação. O objetivo é que, havendo a veiculação criminosa, ela seja retirada o mais rápido possível do ar. Assim parece tudo bem.
Bilitechs é um neologismo criado com base no faturamento bilionário das empresas das mídias sociais. “São as empresas mais ricas do mundo. Elas já ultrapassaram as indústrias do petróleo, automobilística e outras”, garante o professor Pablo.
Pablo Ortellado disse que é assustador o crescimento das estatísticas de crianças com depressão, mutilação e outros males, por uso excessivo das mídias sociais. É uma epidemia. Os pais não sabem mais o que fazer. O Congresso tenta encontrar um mecanismo que puna os responsáveis por incentivar os pequenos.
A variedade desse tipo de indução maldosa e criminosa é incrível. Os perversos usam desde inocentes desenhos animados a grotescos ensinamentos das sombras. Qualquer coisa que sirva para atrair a atenção das crianças é usado por eles. “Já há países que proibiram o uso de celular por crianças”, disse Pablo.
Todos torcendo para que o trabalho dê certo.
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