
Ponte, Arena, chuvas, como a que votou parte de Manaus debaixo d’água, exigem ousadia. Foto: Pedro Devani/Secom
Houve quem hesitasse, diante da possibilidade de o Amazonas dar passos recentes. Construir a ponte Jornalista Phillipe Daou e o estádio Arena da Amazônia significou, para alguns, uma ousadia para Estado tão pobre. Ocorre que nenhum self-made man ou grande conglomerado chegou ao topo sem ousar. E a tragédia, como a de ontem, levando casas e deixando 172 famílias desabrigadas, torna urgente os gestos ousados.
A oposição chegou a dizer que a ponte leva “do nada ao lugar nenhum” e a Arena seria um “elefante branco”.
O primeiro argumento coloca na enésima classe os brasileiros de Iranduba, Manacapuru e Novo Airão, para começar. Depois, todos os demais das calhas do Solimões e do Negro, que se beneficiam da possibilidade de acesso rápido, pela AM-070 (Manaus-Manacapuru) e a ponte.
O segundo, o do “elefante branco”, esbarra nos fatos. Os jogos da Copa do Mundo 2014 e da Olimpíada 2016 colocaram o Amazonas no Mapa Mundi do futebol. O que significa visibilidade planetária. Amazonas e Manaus disputam a Série C, com boas chances de um deles chegar à B, subindo a difícil escada rumo à Série A do Brasileirão. Dois times, Nacional e Princesa, brigarão por acesso, via Série D. As partidas mais importantes não cabem no estádio Ismael Benigno, a Colina, e lotam a Arena.
O Campeonato Estadual é uma prova de que o amazonense gosta de futebol e os clubes estão investindo, no rastro do sucesso de Manaus FC e Amazonas FC.
Agora a ousadia, contra qualquer onda de críticas, deve investir na ocupação dos espaços vazios, incluindo encostas, chegando antes das invasões.
Ousado mesmo é alguém começar a construir um metrô para Manaus. Sim, uma estação, alguns quilômetros, para o sucessor completar, sempre esperando uma grana federal que mate a charada.
O primeiro metrô do mundo, em Londres, foi inaugurado em 1863. A capital da Inglaterra não tinha 1 milhão de habitantes. Manaus tem perto de 2,5 milhões de moradores e problemas insuperáveis no transporte.
Um exemplo? Se aumentar o número de ônibus, como o senso comum julga imprescindível, eles provocarão congestionamentos. Não aumenta e os brasileiros de Manaus ficarão mais tempo longe da família e ameaçados de perder emprego pelos atrasos.
Metrô. Sim. Como a ponte e a arena. Como o Prosamim, que só errou ao não devolver igarapés à natureza. Ou até inspirado na ousadia dos ingleses, que fizeram, em 1907, um porto que até hoje é o mais “moderno” do Amazonas, o Roadway. Ou de Eduardo Ribeiro, que construiu o Teatro Amazonas, maior atração turística da Manô de Mil Contrastes (By colunista Gil).
Metrô. Sim. Soluções largas, ousadas, definitivas. Passou da hora de dar um chute nesse complexo de vira-latas – aquele que adora tudo de bom que vê nas viagens, mas acha que são impossíveis para Manaus.