
A voz das urnas não silenciou a voz das ruas e os protestos, como na frente do CMA (foto), tomaram conta do País neste feriado de Finados
O confronto entre Bolsonaro e Lula, no 2º Turno das eleições 2022, termina com uma vitória apertada. O vitorioso obteve 60.345.999 votos (50,90%), contra 58.206.354 (49,10%) do presidente, diferença de 2.139.645 votos (0,9%). Mal se ouviu a voz das urnas e surge, neste 2 de novembro, ruidosa manifestação pedindo a intervenção dos quartéis.
Ouçamos as lições dos números.
Na eleição de 2018, Jair Bolsonaro obteve 57.797.847 (55,13%) votos e Fernando Hadad 47.040.906 (44,87%). Note-se que, nominalmente, o presidente foi até mais votado, em 2022, que no pleito anterior, mas isso se deve, em grande parte, ao crescimento vegetativo do eleitorado.
A diferença de 10.756.941 votos (10,26%), de 2018, parece larga, folgada, comparada ao percentual de 0,9% da eleição deste ano, mas já indicava a secessão que se aprofundaria nos anos Bolsonaro e a necessidade do apaziguamento nacional.
O que fez o presidente? Cultivou a tensão ao longo do mandato. Não fez qualquer concessão na direção dos 44,87% dos brasileiros que disseram não à candidatura dele. Alimentou, com cada frase, no cercadinho do Planalto, os memes oposicionistas nas redes sociais. “Não sou coveiro”; “Nós vamos ser o último país a se vacinar” etc. Ou, talvez, um pouco de humanidade para com as vítimas das enchentes na Bahia ou da queda de pontes na BR-319, no Amazonas – estas não receberam a menor atenção presidencial, mesmo no calor do pleito.
A lição que os números aplicam a Lula é bem direta. A vitória apertada não autoriza nenhum de seus eleitores a tripudiar sobre os bolsonaristas, feridos pela derrota. Os derrotados são uma massa nacional expressiva, como demonstram as manifestações deste 2 de Novembro.
O eleito conhece bem a escada que precisou percorrer. Desde aquele 1989 de Collor e da filha Lurian, até às vitórias sobre Serra (2002) e Alckmin (2006), passando pelas duas derrotas para FHC (1994-1998). Sem esquecer a debacle (débâcle, em francês) provocada por Dilma, vitoriosa em 2010 e 2014, até o impeachment. Ou a própria prisão, após condenações em três instâncias, cujos fantasmas permanecem vivos, apesar do “não podia julgar em Curitiba” do STF.
A ameaça de episódios semelhantes aos bloqueios nas estradas e os atos de 2 de Novembro fica no ar. Caberia ao presidente silenciá-la, em nome da paz nacional, mas Bolsonaro não mostra o menor apetite para isso. Caberá ao povo encontrar o próprio caminho.
A pujança do ato em frente ao Comando Militar da Amazônia (CMA)? Enquanto, no Amazonas inteiro, o vitorioso foi Lula, com 1.004.991 (51,10%) votos, contra 961.741 (48,90%), diferença de 43.250 votos, em Manaus o jogo foi outro: Bolsonaro derrotou Lula (437.691, 38,72%) ficando com 692.580 sufrágios (61,28%), diferença de 254.889 votos.
Manifestações no Brasil? Metade da população brasileira representa 107 milhões de pessoas.
O caminho está claro. O brasileiro quer desamarrar o País. Está cansado de estradas caóticas. Quer ferrovias modernas, com trens de alta velocidade, como se vê em outros países. Anseia por mais portos, com equipamentos atualizados e alfândega desburocratizada. Quer metrôs, desafogando o trânsito nas grandes cidades.
Lula precisa amarrar o governo a uma pauta que distancie a Nação do culto à personalidade. Mais Brasil e menos Hitler, Mussolini, Stalin ou Maduro. Este é um País democrata.
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