
Ecos da eleição, em editorial do portal, com Marcos Santos (foto)
O 1º Turno da eleição deste ano trouxe novidades.
Omar Aziz, mesmo com significativa rejeição, se reelegeu senador. O Amazonas terá mais quatro anos com a trinca Omar, Plínio Valério e Eduardo Braga. Sim, porque, mesmo se Braga vencesse a eleição de domingo, a vaga iria para a primeira suplente, a esposa, Sandra Braga, e ficaria tudo em casa.
Por que Omar se reelegeu? Um trabalho de formiguinha feito no interior, com as prefeituras, graças às verbas do Governo Federal. Emendas impositivas são apenas R$ 40 milhões. O senador, só para asfaltar a rodovia AM-010, Manaus-Itacoatiara, tem emenda de R$ 260 milhões. Ou seja, Bolsonaro distribuiu dinheiro feito folha no Amazonas, não produziu votos para si e permitiu a reeleição de um dos seus mais conhecidos desafetos.
Quer mais? Omar se beneficiou dos votos drenados, pelo fanatismo bolsonarista, votos que migraram de Arthur Virgílio para o desconhecido coronel Alfredo Menezes.
Arthur, que foi senador influente e acabou de ser prefeito, terminou com menos de 10% dos votos e em terceiro lugar. Os votos dos dois, Arthur e Menezes, superam os de Omar.
Há a eleição de deputado federal, com o recorde histórico de Amom Mandel, o deputado federal proporcionalmente mais votado do Brasil. O Harry Potter já cogita disputar a Prefeitura de Manaus, em 2024.
Note-se a eleição de deputado estadual, com o recorde de Roberto Cidade, presidente da Assembleia Legislativa, superando votações históricas.
Ficaram para trás, entre outros, Wallace Souza e Josué Filho.
Há derrotas, também notórias, como a de Marcelo Ramos, ex-vice-presidente da Câmara Federal, cargo inédito para o Amazonas. E de Márcia Macena, esposa do prefeito de Careiro Castanho, Nathan Macena, candidata a deputada estadual. As pontes da BR-319, que liga Manaus ao Município, caíram na semana anterior ao 1º Turno. Cinco mil eleitores, além da abstenção tradicional, deixaram de ir votar. E Márcia Macena perdeu por menos de 2 mil votos para Dra. Maiara, a filha de Adail Pinheiro. Maiara, aliás, mais votada no pleito anterior, agora precisou dessa fatalidade para se eleger.
Temos a eleição para governador do Amazonas. Wilson Lima é favorito. Eduardo Braga corre por fora. Faz uma campanha de recuperação da própria imagem. Quer mostrar que não é “arrogante”, nem “professor de Deus”, como parece cristalizado no imaginário popular.
Quem perder domingo é candidato a prefeito de Manaus. Se Wilson se reeleger, o prefeito David Almeida, que solfeja em popularidade sem adversários, sai ainda mais fortalecido, por conta da aliança entre os dois.
Quanto a Lula versus Bolsonaro, a disputa presidencial, a análise é a mesma do 1º Turno: os dois são boxeadores, no meio da luta, e cada um pode acertar o queixo do outro e derrubá-lo. Lula tem ligeiro favoritismo. Mas Bolsonaro reagiu, após o 1º Turno, e chega mais forte ao 2º Turno.
O Tribunal Superior Eleitoral, com votação eletrônica no País inteiro, tem a obrigação de entregar o resultado em duas horas, no máximo. Como o horário é unificado com Brasília, por volta das 18h de Manaus a apuração deve estar finalizada.
E depois? Depois, os odiadores de Bolsonaro e Lula que se virem para fazer as pazes com amigos e familiares com os quais brigaram. Boa sorte ao Amazonas e ao Brasil.