Uma rede formada por instituições de ensino e órgãos públicos traçará o diagnóstico da violência envolvendo jovens na sociedade e na comunidade escolar no Amazonas. A ação marca a primeira iniciativa reunindo entidades educacionais e Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM), visando a obtenção de dados concretos dessa realidade no Estado, a fim de que sejam desenvolvidas, a partir dos resultados, medidas que possam combater a violência no ambiente escolar.
A rede é formada por associações, fóruns, secretarias de Educação do estado e do município, Comissões de Educação da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM) e da Câmara Municipal de Manaus (CMM) e Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas), com o apoio do MPE-AM. Na manhã desta quarta-feira (14), um grupo formado por representantes de instituições educacionais participou de uma nova reunião para definir os passos iniciais. A primeira reunião ocorreu em julho deste ano, articulada pelo presidente da Comissão de Educação da ALE-AM, deputado Sidney Leite (DEM), junto ao procurador-geral do MPE-AM, Francisco Cruz, que se comprometeu a realizar trabalhos em conjunto com as instituições representativas do Estado relacionadas à educação.
De acordo com a presidente do Conselho Estadual de Educação, Fernanda Melo, a formação da Rede neste momento tratará a questão da violência nas escolas e o primeiro ponto será fazer um diagnóstico, para que as instituições possam unir esforços na definição e execução de programas e projetos de combate à violência. “A violência não está na escola, está na sociedade. Mas as escolas estão inseridas na sociedade. Precisamos desse levantamento, para agir de forma eficaz no combate”, afirmou.
Na prática, caberá ao MPE-AM solicitar à Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Secretaria Municipal de Educação (Semed), Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado do Estado (Sinepe), Secretaria de Estado de Assistência Social e Gerência Estadual de Atendimento Socioeducativo (Seas/Gease), Conselhos Tutelares, Delegacia Especializada de Apuração de Atos Infracionais (DEAAI), Delegacia Especializada na Proteção de Criança e Adolescentes (DEPCA) e Juizado da Infância e Juventude, dados quantitativos de registros de violência que envolvam jovens, programas, projetos e medidas adotadas e parcerias realizadas.
A presidente do Fórum de Educação do Amazonas (FEA), professora Cecília de Souza, explicou que o diagnóstico é ponto de partida para os encaminhamentos que resultarão em respostas para a sociedade. “Sabemos que o problema não é fácil de ser resolvido, mas estamos discutindo e buscando alternativas para se reduzir a criminalidade”.
A professora destacou a importância do MPE-AM na realização desse processo, uma vez que em outras tentativas de se traçarem um diagnóstico não houve retorno por parte das instituições. “Nosso trabalho é pedagógico, mas as decisões são políticas e econômicas. Então, sempre que solicitamos dados, dificilmente tínhamos retorno e não tínhamos como pressionar ou cobrar. Não podemos trabalhar sem ter as informações concretas”.
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