
Sidney Rezende (foto), que iniciou no Garantido e depois passou pelo Caprichoso, ganhou reconhecimento por sua contribuição à toada de boi bumbá
O mineiro Sidney Afonso Rezende de Mello, 65 anos, compositor de toadas históricas e músico revolucionário do boi bumbá de Parintins, faleceu neste sábado (09/04), às 5h. Sidney Rezende – ou simplesmente Sidão – estava internado no hospital 28 de Agosto, desde 1º de abril, em UTI, após parada cardíaca. Era diabético e teve que ser reanimado diversas vezes, na luta pela vida.
Sidney nasceu em Minas Gerais e chegou a Parintins há mais de 30 anos, na segunda metade da década de 1980. Multi-instrumentista, ele trazia debaixo do braço o violão. Mas foi com a guitarra, tocando no Regional Vermelho e Branco, que tinha Paulinho Faria como cantor, que robusteceu a harmonia da toada de boi bumbá.
O músico resgatou, mesmo sem ter vivido esse tempo, uma tradição no ritmo parintinense: os instrumentos de harmonia. A toada, que começou acompanhada por batida de lata, teve em seus primórdios banjo, rabecão, violoncelo e metais. Isso se perdeu, ao longo do tempo, restando apenas a percussão, com surdos, repinique, caixinha e palminhas.
A música característica de Parintins estava retomando o caminho harmônico, com a chegada do charango (instrumento de corda, andino, usado na percussão), levado por Fred Góes (ex-Raizes de América), quando Sidney aprofundou a mudança. Entraram guitarra, contrabaixo e teclados, num caminho sem volta, embora enfrentando resistência inicial.
Sidney foi co-autor, com Zezinho Cardoso, de “Pássaro sonhador”, toada de enorme importância histórica. Foi ela que deu título ao disco de Fafá de Belém, no qual o grande sucesso acabou sendo “Vermelho”. Foi também o primeiro a gravar, em vinil, no Regional Vermelho e Branco, “O amor está no ar”, de Chico da Silva.
Fez parcerias com Fred Góes – “O nível de exigência dele é excepcional”, repete Fred -, Emerson Maia e diversos outros compositores.
O músico se tornou maestro. Dirigiu fitas, CDs e playlists de Garantido e Caprichoso, atravessando eras da história dos bumbás. Também comandou a Marujada de Guerra e a Batucada, dentro do bumbódromo.
Ganhou reconhecimento no vermelho e no azul. A morte dele está sendo, com justiça, muito pranteada na Ilha Tupinambarana e suas influências.