
David versus Nicolau, ambos ex-presidentes da Assembleia Legislativa, são adversários na corrida pela Prefeitura de Manaus
Amazonino Mendes, lastreado no recall (lembrança) de 2018 e no investimento na desconstrução de Wilson Lima, parece estar no 2º Turno. Certo? Talvez. Mesmo assim, a fotografia da corrida política pela Prefeitura de Manaus, neste momento, revela disputa feroz nos bastidores entre David Almeida (Avante) e Ricardo Nicolau (PSD). Não é impossível, também, que o efeito colateral da briga seja que ambos ultrapassem Amazonino. Entenda o panavueiro.
Detalhe fundamental na análise do David versus Nicolau é uma olhada nos partidos que os apoiam. David tem o Avante (dele), o Democratas (de Rotta), além de PTC, Pros e PMB. Ricardo, além do PSD dele e do PP do vice da chapa, Jorge Lins, conta com o PSB, de Serafim Corrêa, PDT de Hissa Abrahão e Solidariedade. Lins? Sim. George é filho do deputado estadual Belarmino Lins, o Belão, e sobrinho do deputado federal Átila Lins.
A corrida tem David forte, em fundos eleitorais, com a cota do DEM. Vale também para espaço, no horário gratuito. Do lado de Ricardo, as cotas e tempo vêm com PDT e PSB.
Nos números frios, e na última pesquisa da Perspectiva, David é o segundo colocado. Tanto na citação espontânea (6,2%), aquela em que o pesquisador não dá nenhum nome para o entrevistado, quanto na estimulada (15,3%). A urna é um misto dos dois porque também não oferece nome, mas traz o recall da campanha.
Ricardo, em 7º, com 1,4% na espontânea e 3% na estimulada, tem um cipoal de adversários pela frente. Precisa ultrapassar José Ricardo (3,4% e 7,9%), terceiro colocado, Capitão Alberto Neto (1,0 e 6%) e Alfredo Nascimento (1,4% e 4,4%). Está a cinco pontos de José Ricardo e a 12 de David. Conta, para virar o jogo, com um aguerrido exército de curados na pandemia pela Samel.
Ricardo Nicolau e David Almeida, na “guerra com a espada embainhada“, o período pré-eleitoral, têm gerado mais fatos que todos os opositores. Esse é um caminho seguro para voltar os holofotes dos eleitores (votos) para si.
As chances de todos os candidatos, no 2º Turno, dependem do que construírem de alianças no 1º Turno. David já deixou claro que não quer acordo com Wilson Lima. Teria, inclusive, o apoio do vice-governador Carlos Almeida, brigado com o governador. Pauderney Avelino, secretário estadual da representação em São Paulo, até renunciou para se dedicar à campanha. Com Marcos Rotta na chapa, também não poderá contar com o prefeito Arthur Virgílio, rompido com seu atual vice-prefeito.
Ricardo Nicolau, que foi o administrador do Hospital Municipal de Campanha, da Prefeitura, vem atacando duramente Arthur Virgílio. O marketing de sua campanha poupa, ao mesmo tempo, o governador. O senador Omar Aziz, que deve ficar fora da campanha, mas entregou o PSD para Nicolau, tem sido aliado de Wilson.
Amazonino, matreiro, tem evitado críticas a Arthur, seu adversário histórico, aliado em 2017 e adversário, novamente, em 2018. Também não ataca Wilson. Se bobear, os concorrentes acabam jogando prefeito e governador no colo do Negão. E pergunta se ele dispensa esse apoio, bem costurado e nos bastidores?
David Almeida, candidato a governador em 2018, passou alguns dias como concorrente de Wilson Lima no 2º Turno. Amazonino estava nesse período em 3º lugar. Governador, o Negão contabilizava os recursos, deixando o investimento “pesado” para a disputa final. Acabou desembolsando mais algum e garantindo a vaga, atrás de Wilson e pertinho do terceiro, David.
As máquinas eleitorais, tanto do Governo do Estado, quanto da Prefeitura de Manaus, estão azeitadas para a campanha. Não se iluda. Se não der no confronto direto, com a mão em cima do ombro de algum candidato, Wilson Lima e Arthur Virgílio encontrarão um jeito de influir no resultado.
Os candidatos se engalfinham na campanha. Faltam, agora, cerca de dois meses para a hora do voto no 1º Turno, marcado para 15 de novembro. Mas cadê as propostas? O eleitor precisa ficar de olho tanto na ausência delas, quanto na demagogia das propostas vazias e irrealizáveis. Um candidato a presidente do Garantido, endividado e que acabara de perder a sede, prometia construir isso e aquilo. Como, se não tem dinheiro nem para pagar as dívidas? É esse tipo de cara-de-pau, cínico e demagogo, que precisa ser vigiado, repudiado e afastado. Tanto quanto os sem-proposta, que, ao final da disputa, podem bater no peito e dizer: “Posso fazer o que quiser. Eu não prometi nada!”
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