
Uma balada para Lalá (esquerda), com Lanira (amiga), Clotilde (sobrinha-irmã) e Lúcia (sobrinha). Sorrindo, como sempre, e num ambiente festivo, do jeito que gostava.
A gente ganha a vida e depois começa a perdê-la. Vão-se a família, os amigos e depois vamos nós. Nada de tragédia. É só a vida. A mesma vida que, há pouco, nos levou Lalá.
Laíde da Cruz Carmo foi a valorosa companheira de Rubem dos Santos, radialista e ex-presidente do Caprichoso. Era professora. Cultivava amigos e fortalecia os laços de amizade.
Os dois retomam a união, antes na carne, depois no espírito, agora em espírito e em verdade. Deixaram-nos Cinara e Teca, que lhes proporcionaram os netos. E a vida segue, com a certeza de que o legado deles continuará pela posteridade.
Lalá não será esquecida. Ela representa o melhor do Esconde, os Cruz, irmãs, sobrinhas. Essa gente que, em várias gerações, vai revelando o valor da união por eles guarnecida.
Quando Rubem foi presidente do Caprichoso, na década de 1980, Lalá era quem galvanizava a família para apoiá-lo. Eram paneladas e paneladas de caldeirada de peixe, mantendo a motivação nos QGs. Ela também mobilizou costureiras e auxiliares. O dinheiro era curto e o boi precisava desfilar.
Sim, todos sabemos que hoje o boi é “profissional”. Isso, em tradução livre, quer dizer que ninguém mais faz nada sem cobrar na “brincadeira”. Aquele foi o limiar de um tempo romântico, onde se brincava com o coração e pagar a fantasia era obrigação.
Lalá brigou com mais garra ainda pela família. Rubem e ela construíram uma pequena casa, de madeira, na travessa Furtado Belém. No quintal, que se confundia com o espaço comum dos Cruz, a garotada jogava futebol e as mulheres se preparavam para as festas. A animação era o traço dominante e o alto astral começava ali e se espraiava nas madrugadas e serestas.
Na hora das refeições, os Cruz faziam transitar as panelas entre as casas, num vai-e-vem admirável.
Lalá, Clotilde, Flor, Marilda, Dinha e Estró, Mió, Pirolote e Piti (devo ter esquecido alguém, mas trate de me perdoar) fizeram história. Onde havia alegria na Ilha, lá estavam eles. Dava para escrever um livro sobre cada um.
Quando alguém entrava na casa de Rubem e Lalá, cenário comum!, lá estavam eles, com as filhas, na mesma cama, vendo TV. O visitante, alguém da extensa família, era convidado a sentar num mocho ou mesmo no chão. E aquela corrente ia aumentando, na simplicidade da falta de limites para acolher.
Foram-se os pais Zé Caiá e Raimunda e os irmãos Suzana, Rubem, Efraim e Itamar. Agora se foi a cunhada, Lalá. Do lado dela, a esperavam Flor, Mió, Pirolote e tantos outros. Este fim de ano haverá festa do lado de lá. Que, aliás, está ficando mais animado que o lado de cá.
Feliz Ano Novo, a todos que conviveram com essa gente, sábia e feliz, já partida. Que partiu ensinando a sabedoria de viver a boa vida.
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