
Manaus 350 anos, com a praça da Matriz, revigorada, emoldurando a Catedral de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira do Amazonas, simbolizando o abraço em todos os amazonenses. Fotos: Alex Pazuello/ Semcom
Manaus completa 350 anos, neste 24 de outubro.
Sofrida. Rebelde. Serena. Madura.
A cidade da borracha e da debacle, da Zona Franca e da crise, que, apesar desses percalços, cresce e aparece.
A morena do rio Negro, que abraça o rio Amazonas, enquanto avança sobre ele – vide Mauazinho, Colônia Antônio Aleixo, Puraquequara… Não são os maiores modelos de urbanização? Manaus avança para entender isso e, como ninguém corta parte do corpo estropiado, acabará por recuperá-los.
Quem ignora a beleza? Como a capital da Zona Franca passará pela vida fingindo não ver a visão mais privilegiada do Encontro das Águas? Sem olhar o fenômeno de fama mundial do Mauazinho? Ou da Colônia Antônio Aleixo? Ou mesmo sem atentar para o caráter amazônico, belo e selvagem, do lago do Puraquequara?
A efeméride é auspiciosa. Marca a vitória de um povo que venceu percalços e vai se tornando mais forte, enquanto manda tiranetes para casa.
Monte Horebe, o lugar bíblico onde Deus entregou os Dez Mandamentos a Moisés, transformado em reduto do crime? Devastador do bem precioso representado pela reserva Adolpho Ducke? Isso não passará pela consciência da cidade.
Parintinenses, sempre ciosos do amor à terra e dos seus filhos, alfinetam: “Você hoje é mais manauara que parintinense”.
É um caso particular. Vivi 20 anos em Parintins. Vivo há 38 anos em Manaus. Nasci parintinense, tupinambarano, filho de pescador e de família fundadora do Caprichoso. Aí me tornei Cidadão de Manaus. Como?
O vereador Massami Miki, estimulado pelos jornalistas Marcos Pontes e Andréa Vieira, seus assessores, sugeriu o título aos pares. Gelei. Essas coisas são complicadíssimas. Hesitei em entregar o currículo. Marcos e Andréa insistiram, pressionaram e me venceram.
A decisão se dá em várias instâncias, a principal delas uma votação secreta dos 41 vereadores.
Dias depois veio a decisão de concessão do título: aprovado por unanimidade.
Sou, portanto, parintinense de nascimento e manauara por adoção. Parintins me deu oito anos, dos 12 aos 20, de sólida formação profissional. Com ela criei meus filhos. Manaus me acolheu, empregou, valorizou e reconheceu.
História única? Não. Em absoluto. Manaus não é apenas uma cidade. É um Amazonas de diversidade. A cada esquina se tropeça em alguém do interior, que, embora não perca o vínculo com sua origem, é cioso do novo lar.
Manaus não é Cidade-Estado apenas da boca para fora. Ela acolhe o irmão interiorano, de todas as plagas, com desvelo e fraternidade.
Tudo o que se possa fazer por Manaus está aquém do dever de todos por esta cidade com coração de mãe. Dela não duvide, em tempo algum.
Desenvolvimento? Chegará, mesmo com tantas amarguras manchando a face amada. Qualidade de vida? É só descobrir o rio, cuidar da água e cultivar a natureza pródiga.
A vida sorri nos dias de aniversário. É muito “parabéns pra você” e quase nenhum “cuidado pra não tropeçar”.
Manaus 350 anos? A Austrália, hoje país de Primeiro Mundo, só obteve a independência em 1901. Tem vida própria, portanto, há apenas 118 anos. O que está faltando para a gente chegar lá?
Nestes 350 anos, então, Manaus, parabéns pra você nesta data, querida, mas fique de olho em 2020.
E venha de lá esse abraço que a todos acolhe, enternece e apaixona. Parabéns pra você.
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