28/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Veja a correria dos empresários na saída de Amazonino, em 2002, e saiba como está agora, com déficit de R$ 1 bilhão

Publicado em 05 de dezembro, 2018

Veja a correria dos empresários na saída de Amazonino

Veja a correria dos empresários na saída de Amazonino, num cenário que repete agora o que aconteceu em 2002. Foto: Reprodução capa de A Critica

O perfil “Recorte Antigo”, do Instagram, traz uma foto da capa do jornal A Crítica, edição do dia 29/12/2002. O jornal informa, na manchete, que empresários se desesperavam tentando receber. Batiam em vão à porta da Sefaz. Era a antevéspera de Amazonino Mendes entregar o governo para Eduardo Braga. Agora, passados todos esses anos, a lição não foi aprendida. O governador eleito Wilson Lima anuncia que o déficit estadual será maior que R$ 1 bilhão. Ele parece disposto a “não alisar” com Amazonino, isto é, não vai esconder os podres. Nem tem razão para isso. Os empresários voltaram a fazer fila, na casa de Amazonino, no Tarumã, e na Sefaz. Também se repetem as anulações de empenhos, que são flagrantes pedaladas fiscais.

 

Obras em curso

Há empresário tendo que anular empenho de obra em andamento. Na prática, o gesto significa que o Estado está tomando de volta o cheque apresentado como garantia para o trabalho. Retiram a escada e deixam o empreiteiro, amargando prejuízo, segurando no pincel.

 

Tragédia e farsa

“A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa” – Karl Marx, Dezoito Brumário de Louis Bonaparte, 1852.

 

Wilson foi à Assembleia mexer no orçamento

Wilson Lima disse que tinha ido à Assembleia Legislativa pedir para “destravar o orçamento”. Na hora ninguém entendeu. Foram os deputados estaduais que, depois, explicaram. A Comissão de Transição descobriu que havia problemas na proposta enviada pelo governador Amazonino Mendes. O principal se referia ao percentual destinado à Secretaria Estadual de Saúde (Susam). Enquanto os governos, tradicionalmente, têm gastado acima de 24% no setor, Amazonino destinou 12% para 2019. Os deputados, diante do apelo do eleito, prometeram consertar isso.

 

Relatório diagnóstico

A Comissão de Transição concluiu o trabalho inicial. Trata-se de um Raio-X do Governo do Amazonas. É apenas diagnóstico. Wilson Lima prometeu entregar tudo para os órgãos de controle. Tribunal de Contas do Estado (TCE) e os ministérios públicos Estadual (MPE) e Federal (MPF) terão farto material para trabalhar.

 

Propostas para 100 dias

O governador eleito quer os secretários já anunciados trabalhando agora na elaboração das propostas dos primeiros 100 dias de gestão. Pretende acelerar as obras que Amazonino deve deixar inacabadas. Um exemplo claro é a duplicação da rodovia AM-070 (Manaus-Manacapuru). Depois de planejada por Eduardo Braga, iniciada por Omar Aziz, passar por José Melo, David Almeida e Amazonino, a obra está pertinho do fim. Só o governo que se despede parece não ter fôlego, nem disposição, para concluí-la.

 

Manaus-Manacapuru

Wilson Lima acha que, após cinco governadores, está fácil concluir a rodovia. É só dar um empurrão na empreiteira responsável, A Etam, do empresário Eládio Cameli. Com chuva e tudo, quem passa na rodovia percebe que só falta mesmo vontade política para a conclusão.

 

Manaus-Manacapuru (2)

O incrível, sobre a obra da duplicação da Manaus-Manacapuru, é que o governador que passou menos tempo foi quem mais fez. Metade do que está pronto, com efeito, ficou assim na gestão de David Almeida.

 

Coronel Bonates

A escolha do coronel PM Louismar Bonates para a Secretaria Estadual de Segurança (SSP) surpreendeu a todos. Menos à equipe de transição. O novo governo pretende combater de forma direta o crime organizado. E Wilson Lima resolveu nomear um homem com experiência de rua para a missão.

 

Coronel Bonates (2)

A gestão Wilson Lima pretende entrar nas chamadas “zonas vermelhas”. Todas estão perfeitamente mapeadas, mas as polícias Militar e Civil não se sentem seguras quanto aos meios de extirpá-las. Acham que a gestão Wilson, com o apoio do presidente Jair Bolsonaro, dará as condições para o combate.

 

Rudolph Giuliani fica

O contrato com o ex-prefeito de New York, Rudolph Giuliani, encerra em fevereiro. Essa etapa já foi paga por Amazonino. O acordo foi duramente criticado por Wilson Lima durante a campanha. A realidade, porém, surpreendeu o eleito. Passada essa primeira fase, de diagnóstico da situação, os relatórios gerados pela equipe de Giuliani ganham importância. Serão base para captação de recursos junto a instituições internacionais, como os bancos Mundial (Bird) e Interamericano (Bid). Neles, o nome do ex-prefeito transita muito bem.

 

Rudolph Giuliani fica (2)

Amazonino suportou e defendeu o contrato com Giuliani acreditando que, vencendo, colheria os louros dos recursos fartos em 2019. Acabou caindo tudo no colo de Wilson.

 

Alberto Bezerra na PGE

A nomeação de Alberto Bezerra pacificou a Procuradoria Geral do Estado (PGE). Havia um certo levante dos procuradores, diante de rumores de que um não-procurador seria nomeado para o cargo. Alberto, durante muitos anos apresentador na TV Educativa, foi o quinto colocado na eleição para lista sêxtupla da OAB-AM.

 

Petrúcio Magalhães na Sepror

A chegada de Petrúcio Magalhães à Secretaria Estadual de Produção Rural (Sepror) traz indícios. Significa organização de produtores rurais no cooperativismo, que é a praia dele. Tomara que seja também indicação do asfaltamento de ramais. Até agora muitos governadores prometeram, José Melo chegou até a iniciar, mas nenhum fez. Outra coisa, necessária, é a lembrança de que a Embrapa é a maior empresa de biotecnologia do mundo. E que até hoje a Sepror trabalhou de costas para ela.

 

Zona Franca

A saída da Pepsi-Cola ameaça derrubar o castelo de cartas em que se transformaram os incentivos da Zona Franca de Manaus (ZFM). Tudo indica que a gigante dos refrigerantes viu indícios que a levaram à decisão. Pode ser que tenha visto que o presidente Jair Bolsonaro não vai resolver o corte nos incentivos dos concentrados. Ela leva apenas 150 empregos, mas quebra uma cadeia produtiva que tinha sendo adensada e ocupava cerca de 10 mil agricultores. O sinal de alerta, importante, deveria unir políticos, empresários, lideranças em geral. Passada a eleição, no entanto, parece que poucos, a começar pelo prefeito Arthur Virgílio, se preocuparam com a ameaça. Parece que ninguém vê o modelo morrendo de inanição.

 

Zona Franca (2)

A Zona Franca de Manaus está no fim. Jamais será como antes. Os administradores do Amazonas precisam, ainda assim, de alguns anos para encontrar alternativas. Danilo Areosa, João Walter, Henoch Reis, José Lindoso, Paulo Nery, Gilberto Mestrinho (duas vezes), Amazonino Mendes (quatro vezes), Eduardo Braga (duas vezes), Omar Aziz e José Melo, foram os governadores do Amazonas nesse período. Tiveram quase 51 anos para encontrar uma alternativa e nada. Wilson Lima recebe a batata quente na mão com quatro anos para encontrar uma saída.

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