
Está passando hora de ir ao Pará e aprender como o Estado está usando a mineração para alavancar o desenvolver e com todas as licenças ambientais
Primeiro foi o único Estado brasileiro a passar incólume pela crise econômica. Depois, e mais recentemente, tem o menor índice de endividados do País e o terceiro maior crescimento industrial, em junho e julho. Enquanto por aqui só se fala em desemprego e a desesperança se instala, o Pará esbanja otimismo e espalha desenvolvimento. Está passando a hora de o Amazonas, com altivez, mas com a humildade do reconhecimento, procurar o Estado vizinho. Afinal, com geografia muito parecida, os vizinhos estão surfando em alternativas econômicas que se mostram vitoriosas. O Amazonas, enquanto isso, continua no samba de uma nota só chamado Zona Franca de Manaus (ZFM).
Há dificuldades quase intransponíveis para implantar programa estadual de desenvolvimento no Amazonas. Ainda mais com o horizonte de oito anos – eleição e reeleição – dos mandatos de governadores. Isso, e mais falta de visão, egocentrismo e individualismo dos ocupantes do cargo no Amazonas, impede o planejamento.
O Pará tem um planejamento estratégico para 20, 30 anos. Os planejadores entenderam a burrice da cadeia produtiva fornecedora de matéria-prima: ela vende o produto, como minerais in natura, caso do Pará, e compra industrializados muitas vezes mais caros. Isso é trabalhar no pesado para transferir recursos aos países com melhor tecnologia.
O Pará luta, por exemplo, pela criação de indústria siderúrgica. Quer explorar a cadeia do minério de ferro, base do aço. Espalha indústrias pelo interior.
Foram US$ 41,6 bilhões de investimentos, só em 2017. Desse total, US$ 22,4 bilhões na indústria de mineração e outros US$ 10,8 bilhões em infraestrutura e transporte. O restante são US$ 6 bilhões em indústria de transformação e US$ 1,5 bilhão em outros negócios das empresas mineradoras.
Alguém lembra de quanto foi, no auge, o faturamento da Zona Franca de Manaus? R$ 87,3 bilhões, em 2014. O valor está em reais porque algum gênio da economia resolveu sonegar números em dólares.
Agora perceba que o valor do investimento das mineradoras no Pará, em 2017, é maior que o faturamento da ZFM. O valor faturado pelo PIM deixa no Estado parcela pequena, em impostos e salários. O valor inteiro do investimento no setor mineral se tornou bem de raíz no Pará.
A fórmula do sucesso do Pará parece simples. Trata-se de investimento no setor mineral, com olhar no agronegócio, sob o prisma do planejamento.
O Amazonas tem um subsolo riquíssimo. O petróleo de Urucu é só a ponta do iceberg. Tem silvinita em Silves, Itacoatiara, Nova Olinda e arredores. Ferro em Autazes. Ouro na calha do Madeira. São Gabriel da Cachoeira tem 100 quilômetros de matéria-prima para a indústria joalheira. Barcelos mana nióbio e tântalo, que estão na base da revolução tecnológica em curso.
Está aí um mapa para seguir o Pará. Seguir, diga-se, como os fatos demonstram, o caminho do desenvolvimento, da modernidade. É dar curso ao mandamento da geografia amazonense.
Interessa ao Pará, ao mesmo tempo, ajudar o Amazonas. Não haverá desenvolvimento regional com o desequilíbrio entre os dois principais Estados do Norte. É hora de equilibrar o pêndulo econômico: floresce a Zona Franca, paraenses incham o Amazonas; cresce o Pará, amazonenses correm para lá. O equilíbrio de ambos deveria ser política nacional, num Brasil sempre tão “antenado” na Floresta Amazônica.
Os ambientalistas torcerão o nariz. Setor mineral? E a nossa floresta? O Amazonas encontra enorme dificuldade para licenciar o asfaltamento da BR-319. O Pará está investindo pesado na mineração com todas as licenças ambientais. Dizem – e isso é preciso checar – que está dando um show no ambientalmente correto.
Meio ambiente, portanto, não é desculpa para a inoperância, inapetência e falta de misericórdia para com o sofrido povo amazonense.
O Pará, enfim, não deve ter dificuldade em entender a importância estratégica da parceria com o Amazonas. Basta propor.
Chega de Pará versus Amazonas, Amazonas versus Pará. Chega de jacaré contra jaraqui. A hora é de Amazonas mais Pará, jacaré mais jaraqui. O momento é de somar e não de confrontar. Só não vê quem não quer.
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