
Conversa Amazonino-Arthur não durou cinco minutos, foi ocasional, mas pode ter deixado o aberto o caminho para mais diálogo
O governador Amazonino Mendes e o prefeito Arthur Virgílio quebraram o gelo. Os dois não se falavam desde a posse de Amazonino. Eles se encontraram rapidamente. Arthur parece ter sido inquirido e respondeu, segundo observadores, com acenos de cabeça e monossílabos. Uma aliança entre prefeito e governador, com vistas à eleição deste ano, causaria enorme panavueiro no cenário político estadual. E o caminho, pelo que tudo indica, está aberto para o aprofundamento da conversa.
Amazonino e Arthur foram à posse do desembargador João Simões, na presidência do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM). A solenidade ocorreu no dia 04/05. Somente agora as fontes do Panavueiro se sentiram mais à vontade para detalhar o encontro.
A coluna coletou uma frase aqui, outra ali, juntou os fragmentos e imagina um diálogo mais ou menos assim:
Amazonino – “Caboco nós dois estamos velhos para brigar. Por que vamos nos desgastar fazendo asfalto em Manaus, cada um pro seu lado? Vamos conversar”.
Arthur – “Vamos sim, vamos sim”.
Amazonino – “Acho que tenho uma forma de acertar contigo”.
Arthur – “Sim, sim. Vamos”.
Chegaram assessores, amigos, autoridades do Judiciário e o papo encerrou por aí.
Véspera de convenção, que o calendário marcou este ano para 28/07 a 05/08, é fértil em boataria. Pode ser que não seja nada disso. Mas Amazonino pediu à Comissão Geral de Licitação (CGL) que “segure” um pregão sintomático. Trata-se de R$ 300 milhões em asfalto destinado a Manaus. Seria uma espécie de reedição do Grupo de Trabalho e Obras Especiais (GTOE). O artifício, gerenciado pelo falecido ex-vereador Domingos Leite, foi criado por Amazonino, governador, para enfrentar Manoel Ribeiro, prefeito de Manaus.
A versão recriada do GTOE cobriria Manaus de asfalto, suprindo lacunas da gestão de Arthur. Seria a fórmula para Amazonino combater o apoio do prefeito ao senador Omar Aziz. A aliança prefeito-senador, aliás, é o que mais afasta o governador do prefeito.
Outra coincidência: Arthur anunciou, dias depois e para os próximos meses, mutirão de asfalto e tapa-buracos em Manaus. Ele tem feito reservas no Tesouro Municipal, mas obras emergenciais, como a drenagem da Djalma Batista, comprometem as finanças. O dinheiro de Amazonino, se vier, cairia como uma luva no chamado “esforço de verão” da Prefeitura.
Arthur também disse que só anuncia candidato às vésperas das convenções. Estava no lançamento de programa habitacional da Prefeitura. Foi assim, tipo, sem querer querendo.
O sonho de Amazonino, com vistas à reeleição, é unificar as máquinas de Manaus e do Amazonas em torno dele. Há gente no círculo mais próximo do governador calculando que isso resolveria a eleição ainda no 1º Turno.
O principal obstáculo para a aliança governador-prefeito é que Amazonino desenvolveu a mania de ignorar compromissos. Prometeu a Arthur liberar R$ 100 milhões, dos R$ 300 milhões que encontrou no caixa estadual, logo após a posse. Até agora necas de pitibiriba. O prefeito, por conta disso, nem estava atendendo aos telefonemas do governador.
Amazonino, além do mais, precisa cuidar da retaguarda. O anúncio de diminuição dos plantões de anestesistas causa revolta. Várias cirurgias são canceladas por falta desses especialistas. Retirar um já provocaria problemas. Imagine suprimir 165 plantões/mês?
Para piorar, o anúncio da supressão de anestesistas nos plantões vem acompanhado da licitação de aviões. A impressão é que o dinheiro da saúde está sendo usado para criar frota de aeronaves. Que é necessária, em Estado gigante como o Amazonas. Mas permite aos adversários espalhar que é mais uma providência vindo a calhar, na campanha eleitoral que se aproxima.
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