“Por um prego perde-se a ferradura, por uma ferradura perde-se o cavalo, por um cavalo perde-se o cavaleiro e por um cavaleiro perde-se a batalha”.
George Herbert
Embora o panorama desse novo século se caracterize pelas rápidas mudanças e grande velocidade no fluxo das informações, ainda é com base em dados e pesquisas do passado e presente que se constrói cenários prospectivos para a ação futura. A administração Pública pode tirar grande proveito das ferramentas do planejamento baseado na interpretação de dados e informações estratégicas.
De fato, é forçoso reconhecer que os instrumentos atuais de planejamento governamental – Plano Plurianual, Lei de Diretrizes Orçamentárias e Lei Orçamentária, em que pese representem avanços nessa área, são considerados estudos de curto e médio prazo, carentes de uma ação de inteligência competitiva voltada para as prioridades de longo prazo do governo estritamente e da sociedade como um todo.
A técnica de construção de cenários prospectivos é amplamente explorada por grandes corporações no mundo empresarial, as quais fazem uso de informações colhidas no contexto econômico, político, ambiental, social e por fim, com base em opiniões de especialistas das mais diversas áreas do conhecimento para entender o presente e se posicionar sobre o futuro de forma proativa. Cada vez mais a “inteligência competitiva” ganha espaço na tomada de decisões. A Petrobrás, por exemplo, olha para 2020.
Na administração pública a realidade começa a mudar. Diversos Estados brasileiros vem adotando o planejamento estratégico de longo prazo como uma poderosa ferramenta para orientar as ações do PPA, LDO e LOA, especialmente quanto à alocação de recursos e monitoramento de prioridades. Minas Gerais foi um dos estados pioneiros em adotar uma plataforma de prioridades com base em cenários prospectivos de longo alcance. Podemos citar também os recentes casos dos Estados de São Paulo, Espírito Santo e, mais recentemente, Rio de Janeiro e Alagoas.
O acirramento da competitividade entre Estados brasileiros indica que precisamos discutir uma estratégia de longo prazo para o Estado do Amazonas. A guerra fiscal, a divisão dos royalties do Pré-sal, o potencial ambiental e as limitantes de sustentabilidade, os impactos das mudanças na legislação tributária que afetam o Polo Industrial de Manaus, as redes de transmissão de dados e as questões sociais são fatos/informações que, tomadas em conjunto, podem indicar o caminho que devemos trilhar nessa competição positiva pelo desenvolvimento.
Definir qual papel desempenhar no cenário regional, nacional e nas relações internacionais é o primeiro passo para por em prática as estratégias e ações para alcançar o desenvolvimento e o protagonismo que nos espera.
* Júnior Brasil é Perito em Contabilidade e Finanças, especialista em administração Pública e Mes...