22/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

CPI do Tráfico de Pessoas: empresário nega prática de turismo sexual no Amazonas

Publicado em 04 de outubro, 2011

Mesmo diante de dados apresentados pelos senadores, José Lauro Rocha da Silva negou qualquer envolvimento com a prática de turismo sexual no Amazonas. Ele foi ouvido, na manhã desta terça-feira (4/10), na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico Nacional e Internacional de Pessoas do Senado. Além dele, a Comissão ouviu o delegado da Polícia Federal do Paraná, Reginaldo Gallan Batista, que dirigiu a investigação do caso à época.

Lauro Rocha, que é proprietário da empresa amazonense Turismo Ecológico Santana Safari, foi interrogado pelas senadoras Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), presidente da CPI, Marinor Brito (PSOL-PA), relatora, e pelo senador Paulo Davim (PV-RN). O empresário é acusado da prática de turismo sexual no processo criminal 6327-13.2011.4.01.3200 (Inquérito n.º 410, de 2007), no qual também estão envolvidos os irmãos Admilson Garcia da Silva e Adilson Garcia da Silva, e Richard Wayne Schair, Daniel Geraldo Lopes e Juscelino de Souza Motta. Os irmãos também foram convocados para depor na CPI, mas não compareceram.

A relatora colocou o empresário diante de informações como: a presença dele em busca feita pela Polícia Federal no barco de propriedade dele; a existência de mais de cem fotos que comprovam a prática de turismo sexual com a participação de menores nas embarcações dele; cerca de oito depoimentos de meninas que participaram confirmando a prática, entre outras. Mesmo assim, o empresário negou tudo, e disse que está se defendendo na justiça.

Para os números, fotos e depoimentos que os senadores disseram ter tido acesso no processo, e que foram reafirmados no depoimento do delegado Reginaldo Batista, Lauro Rocha respondeu que foram notícias plantadas por empresário concorrente do seu parceiro nos negócios (negou que fosse sócio) o empresário norte-americano Richard Wayne, proprietário da empresa norte-americana de turismo Wet-A-Line. Lauro Rocha ressaltou que a “briga” dos empresários norte-americanos gerou uma queda de 90% para o turismo ecológico no Amazonas.

A senadora Vanessa lembrou que o intuito desta audiência da CPI era também levantar elementos da forma de operar de empresas que, segundo ela, desvirtuam o turismo ecológico, “atividade de extrema importância para a região amazônica”. A senadora explicou que a prática do turismo sexual se encontra com o tráfico de pessoas no momento em que as vítimas são retiradas do seu habitat natural iludidas por uma justificativa que não é a verdadeira. “Muitas das meninas que estão nas fotos – inquérito policial – foram atraídas para trabalhar na rotina das embarcações e não para fazer sexo”, explicou.

A CPI tomou conhecimento do caso durante diligência à Manaus no início de julho. As denúncias foram citadas em matéria no jornal New York times, dando conta de quatro mulheres brasileiras indígenas da cidade de Autazes que processaram a Wet –A-Line por danos morais.

Os senadores consideraram a audiência positiva para os fins da CPI. Foi marcada reunião administrativa para análise de dados para esta quarta-feira (5/10).

Veja mais notícias em Releases

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.