A falta de incentivos para o setor primário no Amazonas, bem como o pouco estímulo à agricultura familiar e a quase inexistência de máquinas agrícolas no campo, compromete a produção de alimentos e atrasa o desenvolvimento econômico do Amazonas.
Estas e outras informações fazem parte da Carta de Direcionamento da Política de Agricultura do Amazonas, elaborada nesta segunda-feira (03) durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
O documento traz informações sobre a produção de alimentos no Amazonas e apresenta sugestões para o Governo do Estado e prefeituras alavancarem o setor primário.
A reunião foi presidida pelo deputado estadual Tony Medeiros, que reuniu representantes de órgãos como Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Secretaria Estadual de Produção (Sepror), Banco de Desenvolvimento da Amazônia (Basa) e Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento (Sempab). Também participaram instituições como Incra, Conab, Banco do Brasil e CPRM.
Embora órgãos ligados ao setor primário confirmem aumento nos investimentos para o trabalhador do campo, o setor rural ainda sobre com a falta de tecnologia. Segundo Tony Medeiros, a agricultura no Amazonas ainda é a mesma praticada há cem anos.
“Enquanto no Sul e Sudeste existem máquinas que preparam o solo, plantam e colhem, no Amazonas ainda trabalhamos com a enxada e o terçado”, afirmou. “Esse atraso impede o aumento da produção de alimentos e empobrece os trabalhadores do campo”, criticou Tony.
Produtos de fora – O geólogo do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Fred Cruz, destacou que o Amazonas importa mais de 60% dos alimentos que consome. “Isso não pode acontecer. Nossas terras de várzea são férteis e ideais para o cultivo de várias espécies”, ressaltou. “Nos últimos dez anos houve uma melhoria nas plantações, mas ainda estamos muito atrasados”, acrescentou.
O diretor de Agricultura da Sempab, Marcílio Pascoalino, lembrou a importância dos agricultores receberem estímulos para a produção de adubo orgânico. A estratégia é reduzir o uso de fertilizantes químicos, que comprometem a saúde de agricultores e consumidores. “O aumento do uso de adubo orgânico é uma realidade mundial que já estamos implantando em Manaus”, destacou o diretor. “O próximo passo é aumentar a produção de frutas e hortaliças e baixar o preço dos alimentos orgânicos”, planeja.
A dificuldade no escoamento dos alimentos até feiras, mercados e outros centros consumidores é um problema que merece atenção, ressaltou Tony Medeiros. “Conseguimos exportar motocicletas para o outro lado do mundo, mas não conseguimos levar nossas polpas de frutas para os Estados vizinhos ao Amazonas”, ironizou o deputado.
Veja mais notícias em Releases