30/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

TSE analisa nesta terça regras para uso de inteligência artificial nas eleições

Publicado em 30 de agosto, 2026

Corte vai avaliar vídeo produzido com IA envolvendo Jair Bolsonaro e poderá estabelecer critérios para conteúdos artificiais em campanhas (Foto: Reprodução)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve analisar nesta terça-feira (1º) um processo que pode definir novos parâmetros para o uso de inteligência artificial durante as campanhas eleitorais. O caso envolve um vídeo produzido com tecnologia de IA no qual uma reprodução digital do ex-presidente Jair Bolsonaro aparece declarando apoio à candidatura do filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), à Presidência.

A ação foi apresentada pelo PT após a exibição do material durante a convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio. Além de avaliar a legalidade do conteúdo, os ministros deverão decidir se houve irregularidade eleitoral e se o partido e o candidato podem ser responsabilizados.

A decisão poderá ter impacto em outros processos relacionados ao uso de inteligência artificial nas eleições, já que o julgamento deve ajudar a estabelecer critérios para diferenciar conteúdos permitidos de materiais considerados irregulares pela Justiça Eleitoral.

Debate sobre deepfakes

A legislação eleitoral já estabelece restrições para o uso de conteúdos manipulados digitalmente. As regras para as eleições de 2026 determinam que materiais sintéticos criados ou modificados por inteligência artificial sejam identificados de maneira clara.

Ao mesmo tempo, a Justiça Eleitoral mantém a proibição de deepfakes, em vigor desde 2024. O desafio enfrentado pelo TSE é definir com maior precisão quais tipos de produção digital entram nessa categoria.

O processo ocorre em um momento de discussão entre os próprios ministros sobre até onde deve ir a regulamentação da tecnologia durante as campanhas.

Na semana passada, integrantes da Corte discutiram o assunto em uma reunião reservada. O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, apresentou aos colegas possíveis impactos das regras atualmente existentes e levantou a possibilidade de permitir determinados conteúdos produzidos por inteligência artificial que não tenham caráter ofensivo ou não sejam utilizados para atacar adversários.

Critérios para identificar conteúdo manipulado

Uma das propostas em discussão considera o nível de realismo da produção como um dos elementos para definir se determinado material deve ser tratado como deepfake.

Nesse entendimento, o principal ponto seria verificar se a montagem tem potencial para fazer o eleitor acreditar que está diante de uma gravação verdadeira.

Produções que apresentam características evidentemente fictícias, como memes, caricaturas e animações, poderiam ter tratamento diferente de materiais que reproduzem de maneira convincente a aparência, a voz ou os gestos de uma pessoa real.

Caso envolve vídeo de Jair Bolsonaro

O processo que será analisado pelo TSE surgiu após a divulgação de um vídeo no qual uma representação digital de Jair Bolsonaro manifesta apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.

O ex-presidente cumpre prisão domiciliar após ter sido condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Em razão da condenação, seus direitos políticos estão suspensos e ele também está impedido de utilizar a internet para se comunicar com o público externo.

A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, levou o caso à Justiça Eleitoral. A alegação é de que a utilização do conteúdo poderia caracterizar propaganda eleitoral antecipada e contrariar as normas que restringem o uso de deepfakes para beneficiar ou prejudicar candidaturas.

O julgamento deverá indicar como o TSE pretende lidar com conteúdos produzidos por inteligência artificial durante o processo eleitoral de 2026 e quais limites serão aplicados às campanhas.

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