30/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Monitoramento comunitário acompanha botos e mudanças nos rios do Amazonas

Publicado em 30 de agosto, 2026

Iniciativa reúne moradores de 52 comunidades para identificar alterações ambientais e prevenir novas mortes de animais. (Foto: Reprodução)

Manaus – Moradores de comunidades ribeirinhas e pesquisadores estão unindo conhecimentos e tecnologia para acompanhar a situação dos rios e lagos do Amazonas e ampliar a proteção aos botos. A iniciativa faz parte do projeto Lagos Sentinelas da Amazônia, coordenado pelo Instituto Mamirauá, que conta com a participação de mais de 200 comunitários de 52 comunidades.

A proposta é acompanhar de forma contínua as condições ambientais que podem afetar a vida dos animais. Para isso, são utilizados equipamentos instalados nos próprios ambientes monitorados, além de estações meteorológicas e informações obtidas por satélites.

Entre os dados observados estão a temperatura e o nível dos corpos d’água, a qualidade da água e as condições meteorológicas. O conjunto dessas informações ajuda os pesquisadores a identificar alterações que possam representar riscos para os botos e para o ecossistema.

No Amazonas, o acompanhamento é realizado nos lagos Tefé, Coari, Janauacá e Serpa. A iniciativa também monitora um quinto lago localizado no Pará.

O trabalho ganhou ainda mais importância depois da severa estiagem registrada em 2023. Naquele ano, a região enfrentou uma grande mortalidade de botos-cor-de-rosa e tucuxis. Levantamentos apontaram a morte de 330 animais durante o período de seca.

Com a experiência daquele episódio, o monitoramento passou a ter papel estratégico para acompanhar os ambientes aquáticos e detectar rapidamente eventuais sinais de alteração.

A pesquisadora do Instituto Mamirauá, Ilda Chaves, explica que as equipes mantêm uma rotina de acompanhamento especialmente detalhada no lago Tefé. As expedições percorrem diferentes trechos do lago em busca de animais mortos que possam ser encontrados.

Segundo ela, o objetivo é localizar possíveis carcaças e encaminhá-las para necropsia, procedimento que pode ajudar a esclarecer as causas de uma eventual morte.

Além da procura por animais mortos, os pesquisadores acompanham o comportamento dos botos. São observados aspectos como movimentação, alimentação e interação entre os grupos, informações que ajudam a compreender como os animais respondem às mudanças no ambiente.

Outra ferramenta utilizada no projeto é o rastreamento por satélite. Doze botos-vermelhos receberam transmissores, permitindo que os pesquisadores acompanhem seus deslocamentos e analisem como os animais se comportam diante de diferentes condições ambientais.

A participação dos ribeirinhos é considerada fundamental para ampliar a capacidade de observação. Por viverem próximos aos rios e lagos, os moradores podem contribuir com informações sobre mudanças percebidas no ambiente e auxiliar as equipes na identificação de ocorrências.

O reforço das ações, no entanto, não representa uma previsão de que uma nova mortandade de botos ocorrerá no Amazonas em 2026. O objetivo é manter uma estrutura de vigilância capaz de identificar sinais de risco com antecedência e permitir uma resposta mais rápida caso seja constatada alguma alteração preocupante.

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