
Brigadeiro Baptista Junior afirmou que declaração do candidato do PL foi uma tentativa de desviar do debate sobre os atos de 2022. (Foto: Reprodução)
O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, reagiu neste sábado (29) à declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. Durante sabatina na TV Globo, Flávio afirmou que o militar estaria fazendo campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Baptista Junior negou a acusação e classificou a declaração como leviana. Segundo ele, a afirmação teria sido usada para evitar uma resposta sobre os depoimentos de militares que participaram do governo Jair Bolsonaro e posteriormente prestaram informações no processo que resultou na condenação do ex-presidente.
O brigadeiro também afirmou que sua participação no processo não teve relação com interesses eleitorais e declarou que analisa tanto Bolsonaro quanto Lula de forma crítica, sem alinhamento político.
Baptista Junior é autor do livro Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista, que será lançado em setembro. Na obra, ele relata acontecimentos posteriores à derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022 e as discussões envolvendo os comandantes das Forças Armadas sobre possíveis medidas de exceção.
Durante o processo que tramitou no Supremo Tribunal Federal (STF), Baptista Junior e o então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, relataram pressões para que as Forças Armadas apoiassem uma ruptura institucional.
Segundo o ex-comandante da FAB, a tentativa não avançou porque não houve apoio unificado dos militares. Ele também relatou que Freire Gomes teria advertido Bolsonaro sobre a possibilidade de prisão caso uma medida de exceção fosse adotada.
Baptista Junior ainda mencionou o então comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, que, segundo seu relato, teria colocado as tropas sob seu comando à disposição de Bolsonaro durante as discussões.
Na reação às declarações de Flávio, o brigadeiro também criticou a estratégia política adotada pelo candidato do PL e citou o coordenador-geral de sua campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN).
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