
Wilson Lima e Renato Jr., os mais próximos da placa de inauguração, iniciaram a corrida de fotos, fatos e boatos na política estadual
Duas fotos bastaram para acender os refletores da política amazonense.
Na primeira, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, aparece ladeado por Alfredo Nascimento, Maria do Carmo e Alberto Neto — uma cena que parecia combinar poder e desconfiança em doses medidas.
Na segunda, o governador Wilson Lima surge ao lado do vice-prefeito Renato Júnior, em mais uma inauguração do Prosamim. Um clique político que diz muito sem precisar legenda.

Maria do Carmo e Alberto Neto (o último à direita) trataram de espalhar no Amazonas que estão seguros nas candidaturas ao governo e Senado em 2026, após encontro com Alfredo (esquerda) e Valdemar (mais alto)
A reunião em Brasília teve gosto de acerto de contas.
Corria a versão de que Alfredo Nascimento estaria puxando o tapete da professora e do deputado federal no Amazonas. Mas o desfecho veio em forma de nota: Valdemar reafirmou que lançar Maria do Carmo ao governo e Alberto Neto ao Senado seria “missão de Bolsonaro”. Ele publicou nota sobre o “fortalecimento de lideranças no Amazonas”, em seu perfil do Instagram.
Ora, convenhamos: a palavra de Valdemar só costuma valer depois do apito final.
Com Bolsonaro preso em casa e com tornozeleira, o jogo de 2026 será de sobrevivência. E, nesse tabuleiro, qualquer movimento pode ser útil — inclusive o improvável.
Maria do Carmo e Alberto Neto acabaram de sair derrotados nas urnas de Manaus, onde David Almeida e Renato Júnior triunfaram. Perder na capital que é o maior reduto do bolsonarismo e sair para uma disputa envolvendo o interior, onde o ex-presidente foi derrotado, convenhamos, não é o melhor trunfo político. Ainda assim, a professora e o deputado seguem no noticiário, embalados por uma fé que talvez seja mais tática do que mística.
Já Wilson Lima tem seu próprio xadrez. Deve deixar o governo em abril para disputar o Senado. O comando passaria a Tadeu de Souza, vice indicado por David Almeida.
Se Wilson sai, David entra no jogo do governo. Terá que renunciar à Prefeitura, mas com amplos indícios de lealdade do vice, Renato Jr., que herdaria o comando da capital da Zona Franca. Com Tadeu no Governo, a união das duas maiores máquinas políticas do Amazonas, em torno do atual prefeito, seria inevitável.
Se Wilson fica, Omar Aziz volta a ser o favorito. E, ainda assim, havendo disputa, David terá que remar muito no interior para suplantar as raízes deitadas por Omar.
A foto com Renato Júnior, na inauguração do Prosamim da Raiz, é a senha: Wilson e David estão conversando.
E hoje, neste exato momento, a tendência é clara — Wilson deixará o governo para abrir caminho a Tadeu.
O resto? O resto é rumor de bastidor.
Na política do Amazonas, o fato sempre chega colado no boato.
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