
Nacional, clube com mais títulos no Amazonas, enfrenta o Manaus FC (foto), que nasceu um século depois, mas tem cara de adulto
Nacional e Manaus entram em campo, neste sábado (29/03), às 17h, na Arena da Amazônia, para decidir a última vaga na final do Campeonato Amazonense. Estará em confronto, mais que um jogo, o novo e o tradicional no futebol amazonense. A onça pintada (Amazonas), prestes a completar seis anos (23/06/2019), espera o vencedor já classificado. O Leão da Vila (Nacional), em seus vetustos 112 anos (13/01/2013), enfrenta o Gavião-Real, nascido em 2013 (05/05). O Leão tem 43 títulos estaduais, os “novinhos” já conquistaram seis.
A história, dita assim, parece apontar vantagem expressiva para o Nacional. Na prática, além do único representante estadual na Série B do Campeonato Brasileiro, o Amazonas FC, o Leão enfrentará um gavião com pintas da Série C, que deixou em 2023, e um Amazonas que tem elenco mais cascudo, reunido há mais tempo e com perspectivas profundas.
Nacional e Manaus brigam também pelas competições nacionais disponíveis. O Nacional já está na Série D, por conta da melhor campanha, e a disputa é por Copa do Brasil e Copa Verde. O clube que teria mais a ganhar com o estadual, além do título, era o RPE Parintins, que sucumbiu nos pênaltis ao Nacional (4 a 3). A equipe de Luiz Carlos Lula da Silva, filho do presidente Lula, fica outra vez na prateleira, aguardando chance de entrar nas competições nacionais.
O Nacional-AM vem dos tempos em que o Estado do Amazonas tinha o famoso clássico Rio-Nal. O Rio Negro, grande rival, era dono da segunda maior torcida e o preferido das elites. Daí que, quando os dois se enfrentavam, era jogo para mais de 50 mil pessoas, no estádio Vivaldo Lima. O “barriga preta” afundou nas profundezas das más gestões e da Série B do Campeonato Amazonense.
A imprensa esportiva tinha Carlos Carvalho (rádio Difusora), Jaime Barreto (Baré) e Arnaldo Santos (Rio Mar) atraindo radinhos de pilhas aos milhares. O sinal do tempo, ecoando nas arquibancadas, era o termômetro da audiência. “Correm o tempo e a bola” (Carlos), “Ei, você aí! Paaaare e escuteeee! Decorridosssss!” (Jaime) e “O tempo é tudo e marca” (Arnaldo) eram dicas para os controlistas de som, nos estúdios, soltarem as vinhetas com os sinais.
Hoje, uma garotada talentosa e guerreira ocupa das emissoras de rádio às TVs e às mídias sociais, vivendo o novo momento do futebol amazonense, abrindo espaço para os clubes.
Em campo, na Arena da Amazônia, com direito a VAR – uma novidade e tanto, tratando-se de Campeonato Amazonense – o tradicional e o novo. Os presidentes, no entanto, são o contrário. Wesley Couto, do Amazonas FC, tem se mostrado habilidosíssimo na condução dos bastidores, em busca de patrocinadores, desde a fundação do clube, em 2019. Giovanni Alves, do Manaus, tem a parceria do vereador Luís Mitoso. O deputado federal licenciado e secretário municipal de Ação Social, Saullo Vianna, estreia numa decisão como presidente.
A política entra em campo hoje porque os três presidentes ou são do ramo ou têm gente do meio muito próxima.
O futebol do Amazonas tem, por outro lado, um copo quase cheio ou quase seco. Acaba de eleger o primeiro vice-presidente na CBF, Ednailson Rozenha, presidente da FAF, mas já com o ônus da humilhação do Brasil diante da Argentina, por 4 a 1, que derrubou o técnico da Seleção Dorival Jr. e colocou em xeque a capacidade administrativa do presidente Ednaldo Rodrigues. Está na disputadíssima Série B e, claro, tem chance de ascensão à Série A, a elite do futebol brasileiro, mas também pode recuar para a Série C – o que seria um desastre.
No campo, hoje (29/03), há muito mais que o resultado de uma partida em jogo. Vencendo, o Nacional se coloca como forte concorrente à vaga na Série C. Se a vitória for do Manaus FC fica a impressão de ótima pré-temporada e elenco pronto para subir outra vez.
Vale a pena ver.
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