05/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Sucessão: as possibilidades abertas no Amazonas

Publicado em 17 de fevereiro, 2025

Sucessão

Sucessão estadual tem Omar (esquerda), David e Tadeu de Souza, ao lado do governador Wilson Lima, como os principais protagonistas do momento

O Governo do Estado muda de dono em 2027 e a decisão sobre quem ocupará o posto, atualmente de Wilson Lima, será ano que vem. É por isso que, mesmo antes da eleição 2024, todos só pensam naquilo, 2026. Sucessão, com efeito, é um prato cheio de possibilidades, na política amazonense. Ou alguém diria, ao fim de 2020, que Wilson governaria o Amazonas por oito anos, como governa agora?

O cenário mostra o senador Omar Aziz, que “faz política 24 horas”, apontado como favorito. Ocorre que, como no futebol, não se ganha eleição sem entrar em campo e Omar inicia a luta, propriamente dita, na primeira quinzena de março. O foco principal é colher os frutos do apoio que ele e o senador Eduardo Braga têm oferecido aos prefeitos, via emendas parlamentares. Com toda razão, o senador teme que a safra apodreça no pé, isto é, que a eleição chegue sem o comprometimento formal desses políticos junto ao eleitorado.

A política recente do Amazonas já teve algo muito perto da aclamação. Ocorreu com Manoel Ribeiro – aquele criticado por, supostamente, lavar as mãos com álcool, após o contato com o povo, ato que a pandemia mostrou estar correto –, em 1985, ano da eleição para o mandato tampão 1986-1988. Vice do governador Gilberto Mestrinho, Ribeiro reuniu gregos e troianos, guelfos e gibelinos, numa chapa única. A adversária com maior expressão, dona Amine Lindoso, esposa do ex-governador José Lindoso, ficou reduzida ao PDS, sucessor da Arena. Fez-se, assim, a primeira eleição direta para prefeito de Manaus, após a ditadura.

Omar trabalha, naquilo que Sun Tzu chama de “a guerra com a espada embainhada”, para ter o menor ruído possível no caminho para o governo estadual.

Quais seriam os ruídos?

Wilson deixa o governo para concorrer ao Senado, como vem dizendo em vários atos políticos. Assume o vice-governador Tadeu de Souza, estreitamente ligado a David Almeida. David tem em Renato Júnior, o vice, figura igualmente próxima. Está selado um cavalo que não voltará a passar assim, para o atual prefeito de Manaus.

As alianças atuais, é bom registrar, podem ser desfeitas pelo “chamado do povo”, isto é, se as pesquisas pré-eleitorais mostrarem viabilidade no projeto. Sem esquecer que Omar Aziz começou com 3% e José Melo com 4%, nas respectivas eleições em que se elegeram governador.

Há algum outsider, fora deste cenário, capaz de encarar a disputa? Amom Mandel (02/01/2001), que teve um caminhão de votos para prefeito, aos 23 anos, só tem idade para disputar até deputado federal. Há um Proposta de Emenda Constitucional (PEC), do deputado federal Eros Biondini (PL-MG), reduzindo a idade mínima para se candidatar a presidente, vice-presidente e senador, dos atuais 35 anos para 30. E de 30 para 28 anos, a idade para candidaturas a governador e vice. Ainda que essa PEC prospere, Amom só terá 29 anos na eleição de 2030 ou, nas regras atuais, só poderá concorrer ao Governo do Estado em 2034.

O deputado federal Alberto Neto (PL-AM), que completa 43 anos em 5 de maio, vai concorrer ao Senado – em embate direto com o atual senador Plínio Valério (PL-AM), no que teria sido decisão direta do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O vice-governador Tadeu de Souza pode ser o adversário de Omar. Depende de muitos fatores. Wilson precisa sair e David ficar, para início de conversa. E precisa transpor a cerca de jurubeba que os ocupantes do poder fazem aos chamados “cristãos novos”, procurando impedir a entrada de outros atores na cena principal da política.

Omar trabalha para Wilson ficar e se tornar uma espécie de magistrado da eleição. O governador teria, como compensação, no momento seguinte, o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

As possibilidades são tantas, que cabe aquela ponderação de Garrincha, antes de jogo contra a Rússia, quando o técnico da Seleção Brasileira lhe dava instruções de driblar o adversário, ir à linha de fundo e cruzar na cabeça de Vavá para fazer o gol: “O senhor já combinou com os russos?”.

O cenário real, final, só vai aparecer em 15 de agosto de 2026. É a data limite para a inscrição de candidaturas. Bois voarão, até lá, e não será apenas no Festival de Parintins.

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