
Juarez Lima (direita, com o crucifixo), ao lado de seu mestre Jair Mendes, que passa por momento delicado de saúde
Juarez Lima, falecido aos 58 anos, em Sankt Pölten, na Áustria, construiu uma carreira que é o próprio resumo da arte parintinense. Foi discípulo de Jair Mendes, estudou com padre Miguel de Pascale e criou uma legião de seguidores, como o atual presidente do Caprichoso, Rossy Amoedo. Depois, nos anos 90, foi decisivo na virada do Festival de Parintins, ao introduzir na festa elementos artísticos e técnicos do consagrado carnavalesco Joãozinho 30.
Juarez se tornou parceiro artístico da cantora Joelma. Foi parar na Áustria porque construía os palcos da “Isso é Calypso Tour”, que passou dos 100 shows, no Brasil e exterior. É um dos elementos do atual sucesso da cantora na Europa. Ela vem mantendo, nos últimos anos, disputada agenda em países como Portugal, Espanha, Inglaterra, Bélgica e Áustria. Amanhã (23/11), o show estará no Mangueirão, em Belém.
O artista foi uma figura extremamente acessível. Simples, a vida dele foi construída em torno da cultura e do modo de vida da Ilha Tupinambarana. Ele vivia isso no dia-dia. Tanto que descobria, em Manaus, lugares que forneciam farinha de mandioca ou peixes raros, como o bodó e o mapará.
O grande projeto atual de Juarez era construir uma NS do Carmo de 70 metros, em meio ao castanhal do bairro Itauna, em Parintins, área sob constante ameaça de invasão.
Transcrevo, a seguir, texto que produzi em 23 de junho do ano passado, após participar do aniversário de Juarez Lima. Ele estava todo eufórico, pensando em como concretizar o sonho da imagem de NS Senhora das Castanheiras. Depois, momentos após a publicação, ligou para agradecer, daquele jeito cálido e amigo como sabia fazer, como se fosse algum favor reconhecer seu grande talento.
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O artista Juarez Lima, durante a festa dos 57 anos, recebeu uma surpresa: a imagem de NS do Carmo, padroeira de Parintins, que faz peregrinação em Manaus, foi visitá-lo. O artista, devoto desde sempre, se tornou ainda mais fervoroso após a pandemia de Covid-19. Em 2021, após perder a esposa, Irlani Cruz, e ficar entre a vida e a morte, ele fez diversas promessas à Santa. Iniciou, de imediato, a Romaria das Águas, que leva a imagem até Parintins, no dia do Círio do Carmo (06/07). “Vamos construir uma NS, com 70 metros de altura, no castanhal do Itaúna”, revela.
Juarez afirma que, em momentos de dificuldades, vê a imagem de Nossa Senhora. “Vi, e mostrei para a Irlani, exatamente no local onde vamos construir a imagem. E vejo nas nuvens”, afirma.
O terreno para a construção da estátua foi doado pela família do pecuarista Luís Teixeira. A previsão é que o projeto seja concluído em 2025. As castanheiras (que têm de 20 a 30 metros de altura) servirão como uma espécie de “jardim suspenso”.
A torre da Catedral de NS do Carmo, o edifício mais alto de Parintins, tem 36 metros de altura. Uma imagem, conhecida como “Nossa Senhora das Castanheiras”, com 16 metros de altura, já está no local. Deve ser um ponto de visitação neste Festival Folclórico.
“Será uma escultura moderna, vazada, capaz de resistir ao tempo. É possível que seja vista da outra margem do rio Amazonas”, imagina o artista. A estátua atual, já no local, foi transportada na Romaria das Águas do ano passado e é um protótipo da que Juarez pretende construir.
O auge da festa de aniversário, com cardápio de peixes tradicionais de Parintins, como o bodó e o mapará, foi quando a imagem peregrina de NS do Carmo chegou ao local.
Juarez se emocionou muito. Ela veio acompanhada pelo grupo que cuida da peregrinação em Manaus e pelo padre José Ivanildo de Oliveira Melo, pároco da igreja de São José Operário, na Praça 14, que consagrou a casa à Santa.
Um resumo da extensa história de sucesso de Juarez Lima é uma missão ingrata. Discípulo de Jair Mendes, a raiz dos artistas parintinenses, e do Irmão Miguel de Pascale, outra referência das origens, ele é um artista consagrado.
Um ponto, no entanto, é pouco conhecido. Convidado por Joãozinho 30, em 1989, ele aportou na Beija-Flor, no Rio de Janeiro. O carnavalesco abriu as portas, dando acesso às modernas tecnologias, disponibilizadas para criar as alegorias gigantescas que a escola apresentava.
Em 19 dias, o tempo disponível, Juarez estudou tudo, setor por setor, dia e noite. Trouxe para o Festival de Parintins os blocos de isopor (antes eram folhas), trocou a madeira pelo ferro (mais leve) e agigantou as alegorias. O Garantido ficou anos sem saber de onde vinha tudo aquilo.

O artista chegou a construir a imagem provisória de NS das Castanheiras, que já está no Castanhal do Itaúna