
Urnas trazem quadro com Wilson (esquerda), Cidade, David, Tadeu, Omar e Braga definindo o futuro do Amazonas
Encerrado o 2º Turno em Manaus, com a reeleição do prefeito David Almeida, as urnas trazem o quadro de 2026. Será o ano da disputa pelo Governo do Estado, com Wilson Lima fora do páreo, por já ter sido reeleito, e de duas vagas para o Senado, aí com ele na briga. A decisão do STF, segunda (28/10), anulando a eleição de Roberto Cidade, 2025-2026, na presidência da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), traz um molho a mais à disputa.
É preciso acrescentar a eleição para Presidente da República, com Lula candidato à reeleição. Além das oito vagas na Câmara Federal e 24 da Assembleia Legislativa do Estado.
O cardápio está completo. As urnas trazem quadro de 2026. Os ingredientes, vindos da safra 2024, começam a revelar o cenário eleitoral da grande disputa.
Roberto Cidade, que ficou em quarto na eleição para prefeito, obteve o esperado banho de rua na capital. Melhorou muito, entre o primeiro e o último debate, se soltou e não diminuiu o ritmo, após a derrota. Como presidente eleito e reeleito da Aleam, até 2026, o parlamentar era o terceiro na linha de sucessão de Wilson Lima. A decisão do STF, o tira dessa posição.
(corrigido)
Há, no entanto, uma zona cinzenta na decisão do ministro Cristiano Zanin: ele não ataca a questão do 3º mandato consecutivo, que seria o caso de Roberto Cidade, presidente da Aleam desde 2021-2022.
O leitor tem, ao fim deste editorial, a decisão do ministro Zanin para buscar opinião própria. Há duas teses.
A primeira, que o deputado Wilker Barreto apresenta, afirma que o STF tem decisão, em súmula, permitindo a reeleição dentro da mesma legislatura. Cidade não seria atingido pela proibição de três mandatos consecutivos porque a súmula veio depois do primeiro mandato dele e “a lei não retroage para prejudicar”.
A antítese é de que não há, no arcabouço constitucional brasileiro, em nenhum dos poderes, permissão para três mandatos consecutivos. Ainda haveria, segundo esse grupo, espaço para uma nova consulta ao STF, que impediria Roberto Cidade de concorrer ao mandato 2025-2026.
Os dois lados concordam que, se puder disputar, Cidade é o favorito. “E com meu voto”, acrescenta Wilker.
O vice, por sua vez, sai fortalecido da eleição municipal. Foi o coordenador da campanha de David, amigo e mentor político. Tem sido um lord, na relação com Wilson. Se o governador encarar a disputa do Senado, que exige renúncia, ele assume em abril de 2026. No cargo, com a caneta na mão e apoio do prefeito de Manaus, dificilmente deixará de concorrer à reeleição.
Outro componente importante, no quadro eleitoral de 2026, é o resultado das urnas no interior. Wilson Lima, Eduardo Braga e Omar Aziz exibem as prefeituras que conquistaram. Prefeitos se tornam cabos eleitorais importantes. Em Parintins, indicando Matheus Assayag, Bi Garcia deixa a Prefeitura fortalecido pela vitória, num confronto aberto com o governador. O mesmo vale para Mário Abrahim, em Itacoatiara, e David, na capital. Bi tem grandes chances de ser escolhido vice, numa chapa de Omar Aziz, desde que conquiste espaço também em Manaus.
O governador, contrariando vozes internas que defendiam o confronto, decidiu dialogar com 59 dos 62 prefeitos. Manacapuru, onde Beto D’Ângelo apoiou Eduardo Braga e ficou a pão e água oito anos, é o caso mais emblemático.
Agora serão recolhidos os cacos.
Omar Aziz é candidato ao governo. Tadeu de Souza também. Eduardo Braga e Plínio Valério são candidatos à reeleição no Senado. Wilson Lima quer uma dessas vagas.
David Almeida meteu mais uma “cunha caseira” na eleição de 2026, com a indicação de Renato Jr. para vice, em demonstração de que também está no páreo. Se Tadeu de Souza topar o sacrifício de não entrar na disputa, e, ao lado de Renatinho, fizer o dever de casa, David terá uma estrutura invejável para concorrer ao Governo do Estado.
Façam suas apostas.