08/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

O mundo pede cuidados

Publicado em 06 de junho, 2024

Por Augusto Bernardo Cecílio

As alterações que o homem provocou no meio ambiente estão mudando abruptamente o clima do planeta e ameaçando comprometer o próprio futuro da humanidade.

Alguns autores atribuem a mudança de paradigmas na relação homem-natureza ao início do Renascimento com o antropocentrismo, passando pela Revolução Industrial, pelo Liberalismo, culminando no século XX com a exploração desenfreada dos recursos naturais.

Temos nos posicionado como saqueadores dos recursos naturais, encarando-os como ilimitados, a partir de uma visão antropocêntrica, desconsiderando as biodiversidades do planeta e as relações interdependentes como parte do todo.

No decorrer da última década do século XX, cresceu a percepção de que um novo mundo estava surgindo – um mundo moldado pelas novas tecnologias, pelas novas estruturas sociais, por uma economia e uma nova cultura. O termo usado para designar as extraordinárias mudanças e o movimento aparentemente irresistível percebido por milhões de pessoas foi “globalização”.

Acelerando o tempo, em 2002, consequência direta da Rio-92 e da Conferência de Estocolmo de 1972, ocorre a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, comumente chamada Rio+10, em Johannesburgo, na África do Sul.

Destacam-se, pela primeira vez, os problemas relacionados com a globalização, evidenciando-se que os benefícios e os custos a ela associados estão distribuídos desigualmente. Alerta-se para o risco de a pobreza gerar o descrédito dos sistemas democráticos, favorecendo o surgimento de sistemas ditatoriais.

Medidas são detalhadas: aumentar a proteção da biodiversidade e o acesso à água potável, ao saneamento, ao abrigo, à energia, à saúde e à segurança alimentar. Procura-se priorizar o combate a várias situações adversas: fome crônica, desnutrição, ocupação estrangeira, conflitos armados, narcotráfico, crime organizado, corrupção, desastres naturais, tráfico ilícito de armas, tráfico de pessoas, terrorismo, xenofobia, doenças crônicas transmissíveis, intolerância e incitação a ódios raciais, étnicos e religiosos.

Esperava-se que até 2020 os produtos químicos fossem produzidos e utilizados de forma a minimizar os prejuízos à saúde e que houvesse também cooperação para reduzir a poluição do ar.

Até 2010, esperava-se que os países em desenvolvimento tivessem acesso a tecnologias alternativas desenvolvidas no sentido de diminuir a emissão de produtos que interferem na camada de ozônio.

Além disso, desejavam a redução da perda de biodiversidade até 2010, a reversão da tendência de degradação de recursos naturais, a restauração de pesqueiros até 2015 e o estabelecimento de áreas marinhas protegidas até 2012.

Concluiu-se, também, sobre a necessidade de esforços para possibilitar acesso a mercados alternativos com o objetivo de favorecer o desenvolvimento dos países; diminuir subsídios às exportações e promover um conjunto de programas, no prazo de dez anos, para incentivar o consumo e a produção sustentáveis.

Pelo visto, estamos na quarta década de esforços orientados para a sustentabilidade do planeta, dos países e das comunidades locais. Empenho que se expressa nos diversos eventos internacionais que têm feito emergir a consciência sobre a finitude dos recursos naturais do planeta Terra e sobre a fragilidade dos ecossistemas naturais e humanos.

Fragilidade do ambiente natural que se expressa nas alterações climáticas, nos danos sofridos pela flora e fauna, pelos oceanos. Fragilidade refletida na deterioração dos ambientes humanos, das cidades e das populações, acometidas pela miséria, pela fome, pelas doenças endêmicas, pelas desigualdades socioeconômicas.

Diante desse quadro, todos – governos, pessoas e organizações, públicas e privadas – são chamados a se envolver e a agir, cada qual no âmbito de seus empreendimentos, em busca de um mundo melhor.

 

*Auditor fiscal e professor

Veja mais notícias em Colunas
Autor
Augusto Bernardo Cecílio

* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.