
Dia Mundial do Meio Ambiente, na abordagem de Eduardo Braga, com uma perspectiva amazonense. Foto: Divulgação/Éverton Amaro
O Amazonas que sonhamos para as gerações futuras.
Muito se fala em proteger florestas, salvar o planeta e construir um futuro sustentável. Mas é preciso mais do que discursos, é preciso lembrar que nessas florestas vivem brasileiros como eu e você, que têm o direito de estudar, trabalhar e prosperar. Portanto, equilibrar essas necessidades, que parecem antagônicas, tem sido o foco do meu trabalho há muitos anos.
Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, precisamos fazer uma reflexão sobre os avanços e retrocessos nas questões ambientais no Estado do Amazonas.
Quando cheguei ao governo, herdei um modelo de desenvolvimento sócio-econômico-ambiental baseado no modelo da Zona Franca de Manaus, que vem funcionando há muitos anos. Mas é preciso mais. Precisamos criar novos polos de desenvolvimento descentralizados, como o polo de fármacos e biotecnologia, o polo da silvinita, o polo gás-químico e tantos outros, criando um novo ciclo econômico, que permita aos mais de 4 milhões de amazonenses novas oportunidades de crescimento em bases sustentáveis.
Demos os primeiros passos nesta direção, criando a primeira legislação estadual de meio ambiente, que permitiu muitos avanços, com programas e projetos de desenvolvimento sustentável, que foram exemplo no Brasil e no Mundo.
Outro passo importante foi a identificação de áreas de extrema relevância ambiental e a criação de Unidades de Conservação Estaduais, que, junto às terras indígenas e as UC federais, protegem mais de 60% do território do Amazonas. As populações rurais foram incluídas e mais de 9 mil famílias foram remuneradas pelo Bolsa Floresta. Um trabalho internacionalmente reconhecido que serviu de base para a criação do sistema de compensação pela redução das emissões provenientes de desmatamento e degradação de florestas, o REDD.
Infelizmente, a preocupação ambiental deixou de ser uma prioridade, nos governos que nos sucederam, e a pressão sobre a floresta cresceu. As taxas de desmatamento saltaram, a partir de 2019, levando o Amazonas ao segundo lugar em desmatamento. Atualmente, com o governo do Presidente Lula, as taxas recuaram consideravelmente. Mas, precisamos reconstruir e inovar em muitas frentes.
O Clima do planeta mudou e as consequências têm sido desastrosas. No Rio Grande do Sul, as cheias deixaram um rastro de destruição, com cerca de 200 mortos ou desaparecidos e quase 2,5 milhões de desabrigados. Aqui no Amazonas tivemos, em 2023, a maior seca já registrada e o Estado inteiro sofrendo por conta do desabastecimento.
Neste novo cenário, a saída viável é a pavimentação da BR-319. Que ficou muito claro durante a pandemia da Covid-19, quando as carretas com o oxigênio ficaram atoladas, enquanto os amazonenses morriam nos hospitais.
É graças à floresta que o Brasil é o País do agronegócio e das hidrelétricas. Elas, também, ajudam no clima global. Portanto, a floresta não um problema, é a solução. Desde que as pessoas que a conservam sejam remuneradas pelos serviços ambientais que prestam a todos.
Estamos em um momento crítico da história, em que precisamos recuperar os danos já causados, evitar novas catástrofes e provocar as mudanças necessárias para criar um novo modelo de desenvolvimento, tudo ao mesmo tempo. Isso só será possível com um amplo pacto entre os diversos setores da sociedade, com a liderança de quem realmente conhece a realidade do Amazonas. Só assim construiremos o Amazonas que sonhamos. Neste 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, é nisso que acredito e é por isso que continuo lutando todos os dias.
Eduardo Braga é Senador pelo AM e líder do MDB