
Marquinho Azevedo foi tripa do Garantido e do Caprichoso. Foto: Divulgação
Marquinho Azevedo, o tripa mais famoso do Caprichoso, morreu de infarto, aos 59 anos. Brincou, cantou com os amigos e irmãos, revivendo uma grande tradição familiar, despediu-se, foi para casa e só então sentiu as dores fulminantes. Marquinho tem uma história que se tornou eterna, inclusive no Garantido.
Em 1986, Jair Mendes bombando com o “Boi Biônico” no Garantido, o artista cuidava também das alegorias e capacetes dos tuxauas. Faltavam-lhe mãos para tantos momentos na arena. Marquinho, seu principal auxiliar na construção do boi, passou a ser tripa do vermelho e branco, embora torcedor de pai, mãe e parteira do Caprichoso.
O flerte com o “contrário” durou até 1988. Jair, chateado, cedeu à pressão da esposa, Ana (falecida), e do filho mais velho, Jairzinho, mudando para o Caprichoso. Marquinho, feliz da vida, foi junto, mantendo o trabalho de construção e evolução do boi.
Jair voltou ao Garantido em 1990. Deixou Marquinho no Caprichoso, já como titular da manufatura do boi. E aí ficou até 2017, quando passou o bastão de tripa para o filho mais velho e auxiliar, Alexandre Azevedo.
História bonita? Mas não é só isso.
Marquinho é filho de Mariozinho, o “Arraia”, um craque do futebol e do pandeiro. É irmão de Rei Azevedo, levantador de toadas icônico, e de Edson. Os três formaram o grupo Sangue Azul, com Geraldo Brasil, Neguinho Dutra e outros. Depois, o grupo virou Sangue Azul e hoje é a base do Toada de Roda.
Marquinho e Rei são as vozes principais do primeiro vinil do Festival de Parintins, gravado em 1986, do Caprichoso. O vocal era em uníssono, mas as vozes poderosas dos dois se destacavam. E olha que o backing vocal-coro tinha Arlindo Jr e David Assayag.
O tripa, depois da aposentadoria, manteve a confecção do boi como atividade principal. Um dos últimos foi para a cidade de Veredinha, no Vale do Jequetinhonha (MG), presente da Amazonbest para um cliente apaixonado.
O tripa-artesão-cantor era um exímio percussionista. Pertencia a uma geração de fãs do compositor Carlos Pato, que fazia e acontecia no atabaque. Foi uma festa em homenagem a Pato à despedida de Marquinho. Ele estava ao lado do irmão mais velho Marinho que herdou o talento para o futebol do pai.
Rei cantava, Edson batucava. A festa foi completa. É assim a lembrança que ficará do grande artista.
Descanse em paz, Marquinho!
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